70 BILHÕES DE REAIS DE VERGONHA: COMO A FIFA DESTRUIU A ESSÊNCIA DA COPA POR DINHEIRO
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Os confrontos deste domingo mostraram que o objetivo da FIFA não foi o de apresentar o grande futebol que ocorria em uma Copa do Mundo de 24 ou até mesmo de 32 seleções, mas sim focar no retorno financeiro que uma edição com 48 seleções poderia proporcionar, com os preços dos ingressos nas alturas. Exemplos disso foram Alemanha 7 a 1 sobre Curaçao e Suécia 5 a 1 contra a Tunísia. Hoje teremos Espanha x Cabo Verde, Irã x Nova Zelândia, França x Senegal e, mais adiante, Portugal x RD Congo. Ou seja: futebol que é bom, nada. A intenção da FIFA é arrecadar mais e mais. A Copa do Mundo de 2026 só verá os grandes clássicos possivelmente a partir da terceira rodada — muito pouco na segunda —, mas os estádios estarão sempre cheios para arrecadação, enquanto verdadeiras peladas com muitas goleadas farão a alegria dos iludidos.

A decisão da FIFA de ampliar o Mundial para 48 seleções escancara sua verdadeira prioridade: o lucro acima da qualidade esportiva. Ao incluir equipes sem tradição ou competitividade técnica, a entidade transforma um torneio que deveria celebrar a excelência do futebol em um grande espetáculo de massa raso, onde o placar elástico se torna mais comum do que o equilíbrio. A elite do futebol é diluída em um mar de confrontos previsíveis, e o que se perde em emoção ganha-se em bilheteria — exatamente como planeja o departamento financeiro da entidade.

A FIFA vende a expansão como um ato de "democratização", mas, na prática, trata-se de uma farsa mercadológica. Países sem estrutura, sem história e sem competitividade figuram apenas para inflar o número de jogos e, consequentemente, as cotas de televisão e os patrocínios. O futebol de alto nível cede espaço ao espetáculo do circo de horrores técnicos, no qual perder por seis ou sete gols de diferença se torna normalizável. Essa suposta inclusão nada mais é do que a exploração comercial do sonho de nações inteiras, usadas como figurantes para engrossar a arrecadação.

A programação da Copa de 2026 evidencia o descaso com a tradição do esporte. O torneio, que antigamente reservava os confrontos decisivos para as fases finais, agora oferece semanas de partidas irrelevantes, onde os favoritos atropelam estreantes sem qualquer resistência. O torcedor que paga ingressos a preços abusivos assiste, na verdade, a treinos televisionados disfarçados de jogos oficiais. A FIFA sabe disso, mas não se incomoda: o importante é que os estádios estejam lotados e os cofres abastecidos, mesmo que a essência do futebol seja sacrificada no altar do capital.

Além do empobrecimento técnico, a expansão para 48 seleções impõe um calendário exaustivo a atletas que já sofrem com o acúmulo de partidas em seus clubes. Lesões se tornam mais prováveis, e o desgaste físico atinge níveis insustentáveis — mas a FIFA nunca se importou com a saúde dos jogadores quando há milhões em jogo. O que se vê é uma entidade que trata o futebol como mero produto de entretenimento descartável, no qual a integridade dos atletas e a beleza do jogo são sistematicamente negligenciadas em favor de relatórios financeiros positivos.

No fim das contas, a Copa do Mundo de 48 seleções não passará de um monumento à ganância da FIFA. Os grandes clássicos — aqueles que ficam na memória afetiva do torcedor — surgirão apenas nas fases mais avançadas, como migalhas de um banquete estragado. Enquanto isso, goleadas constrangedoras servirão de pano de fundo para um negócio bilionário. A lição que fica é clara: para a FIFA, a emoção do futebol tem preço, e esse preço é de 70 bilhões de reais. Resta saber até quando os verdadeiros apaixonados pelo esporte aceitarão assistir, calados, a essa transformação da Copa em uma máquina de moer ilusões e imprimir dinheiro.
Por: João Bosco










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