FLÁVIO BOLSONARO MUDA O TABULEIRO EM MINAS E LANÇA FLÁVIO ROSCOE, EX-PRESIDENTE DA FIEMG, AO PALÁCIO TIRADENTES
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Em uma reviravolta que pegou os mineiros de surpresa na manhã desta quarta-feira (5), o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), anunciou o nome do empresário Flávio Roscoe como seu candidato ao governo de Minas Gerais. A decisão, tomada após a desistência do senador Cleitinho (Republicanos), que inicialmente contava com o apoio do bolsonarismo no estado, redefine completamente os rumos da disputa estadual e coloca o Partido Liberal em posição de protagonismo no segundo maior colégio eleitoral do país. Natural de Belo Horizonte e com 53 anos de idade, Roscoe aceitou o desafio mesmo sem nunca ter concorrido a um cargo público, apostando na sua trajetória à frente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) como principal trunfo para convencer o eleitorado industrial e conservador.

O currículo de Roscoe no setor produtivo é vasto e respaldado por posições de destaque em entidades nacionais e setoriais. Além de ter presidido a FIEMG, ele acumula passagens pela vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e integra, atualmente, o Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT). Sua atuação também se estende à formação de novas gerações de empreendedores, na condição de presidente da Junior Achievement Minas Gerais, organização que fomenta o protagonismo juvenil e a cultura da inovação. Sócio diretor de empresas como Coloetextil Participações, Colortextil Nordeste, Itatextil e FTX, o candidato chega à política com a bandeira do desenvolvimento econômico, da desburocratização e do diálogo direto com o setor privado – pautas que, segundo analistas, podem ressoar fortemente em um estado marcado por crises fiscais recorrentes.

Em seu primeiro discurso como postulante ao Palácio Tiradentes, Roscoe fez questão de estender a mão ao antigo aliado, o senador Cleitinho, num gesto que busca costurar unidade no campo conservador mineiro. "Vamos juntos transformar o Brasil. Aguardamos o Cleitinho no nosso palanque e desejamos a ele o melhor nesse momento de transição que ele passa, nesse momento difícil e de luto", afirmou o empresário, em referência à recente perda familiar do senador, que pesou em sua decisão de se afastar da disputa. A declaração, ao mesmo tempo respeitosa e estratégica, sinaliza que a chapa bolsonarista não pretende romper pontes, mas sim reorganizar forças para evitar uma fragmentação que beneficie os adversários, especialmente diante do favoritismo de nomes da oposição nas pesquisas iniciais para o governo estadual.

A oficialização da candidatura própria do PL em Minas Gerais representa um divisor de águas na estratégia nacional de Flávio Bolsonaro, que agora aposta em um nome do mundo empresarial para oxigenar seu projeto político e atrair eleitores descontentes com a gestão atual, mas ainda indecisos quanto ao voto. Para Roscoe, o desafio será duplo: apresentar-se ao público como novidade no cenário político, ao mesmo tempo em que precisará construir, em poucos meses, uma estrutura de campanha capaz de competir com máquinas partidárias já consolidadas. Especialistas em ciência política consultados pela reportagem destacam que a escolha de um candidato sem histórico eleitoral pode ser tanto uma vantagem – por escapar do desgaste da velha política – quanto um risco, pela falta de conhecimento dos ritos e das exigências da disputa majoritária. Os próximos dias, portanto, serão decisivos para que Roscoe traduza sua experiência em gestão industrial em propostas concretas para áreas como saúde, segurança e infraestrutura, temas que dominam o debate nas ruas de Belo Horizonte e no interior mineiro.
Por: João Bosco






