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TRAGÉDIA NA VENEZUELA – TERREMOTO DEIXA MAIS DE 3.300 MORTOS E DESAFIA SISTEMA DE SAÚDE COM RISCO DE EPIDEMIAS

  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

O devastador terremoto que atingiu a Venezuela no último dia 24 de junho já deixou um saldo oficial de mais de 3.300 mortos, segundo balanço divulgado pelas autoridades locais. Os fortes tremores, que alcançaram alta magnitude na escala Richter, provocaram o desabamento total ou parcial de mais de 200 edifícios e milhares de residências, especialmente na costa litorânea e na capital Caracas, onde a densidade populacional agravou o cenário de destruição. Equipes de resgate seguem trabalhando ininterruptamente entre os escombros, mas a cada hora as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem, enquanto o número de desaparecidos já ultrapassa a marca de milhares de pessoas.

O sistema de saúde venezuelano está em estado de emergência máxima, com mais de 16 mil feridos confirmados e hospitais lotados além de sua capacidade operacional. Muitos dos corpos resgatados permanecem não identificados, o que levou as autoridades a promover enterros coletivos em valas comuns nos cemitérios locais e em espaços improvisados, diante da impossibilidade de armazenamento adequado. No porto de La Guaira, um depósito foi adaptado às pressas para abrigar os corpos aguardando reconhecimento, medida que expõe a dimensão catastrófica do desastre e a fragilidade logística do país para responder a uma tragédia de tal proporção.

Em meio ao caos, a Defesa Civil venezuelana emitiu um alerta preocupante: a prioridade agora não é mais a busca por sobreviventes, mas a prevenção de um colapso sanitário. As autoridades temem a proliferação de doenças infecciosas, como febre amarela e tétano, além de surtos de diarreia e hepatite, agravados pela falta de água potável e pelo acúmulo de detritos. Com isso, o governo declarou estado de calamidade pública e mobilizou equipes de vacinação emergencial, ao mesmo tempo que pede cooperação internacional para conter uma possível segunda onda de mortes, agora por causas evitáveis.

O Brasil já deu os primeiros passos solidários e enviou uma carga com 50 mil doses de vacina antirrábica e 100 mil doses contra a febre amarela para Caracas, em um gesto que reforça a integração humanitária entre os países vizinhos. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Cruz Vermelha também estão articulando o envio de insumos médicos e equipes de apoio psicológico para as regiões mais afetadas. Especialistas alertam, no entanto, que a reconstrução física e emocional da Venezuela levará anos, e que a comunidade internacional precisará manter um esforço contínuo para evitar que esta tragédia natural se transforme também em uma tragédia sanitária de consequências incalculáveis.

Por: João Bosco

Foto: AFP

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