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RONALDO SAI, RÚBEN NEVES ENTRA: E A ESTRELA DO TÉCNICO BRILHA NA GRANDE VITÓRIA PORTUGUESA

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Em uma noite de quinta-feira (2) que ficará marcada na memória dos torcedores lusitanos, Portugal eliminou a Croácia por 2 a 1, em jogo eletrizante válido pelo mata-mata dos 16-avos da Copa do Mundo de 2026. A partida, disputada em ritmo de decisão desde os primeiros minutos, teve viradas de emoção, defesas espetaculares e um desfecho digno de roteiro de cinema. Com o resultado, a seleção portuguesa carimbou seu passaporte para as quartas de final, onde terá pela frente um velho conhecido ibérico: a Espanha, que mais cedo havia atropelado a Áustria por 3 a 0, em atuação convincente, mas contra um adversário tecnicamente frágil.

O grande tabu da partida, no entanto, não foi o placar nem a classificação, mas sim uma decisão ousada do técnico Roberto Martínez que paralisou o estádio e incendiou a imprensa esportiva. Aos 36 minutos do segundo tempo, com o jogo empatado em 1 a 1 e a Croácia pressionando, o comandante português promoveu a substituição de Cristiano Ronaldo - para a entrada do atacante Rúben Neves. A justificativa técnica, segundo Martínez em entrevista coletiva, foi a necessidade de maior agilidade no ataque, já que os 40 anos do astro, embora convivam com genialidade, não permitem mais o mesmo ritmo de outrora. "Ronaldo é diferenciado, mas o jogo pedia outra velocidade", declarou o treinador, ciente da dose de veneno que suas palavras carregavam.

O que se viu a partir dali foi uma verdadeira prova de fogo para o técnico espanhol à frente da seleção portuguesa. Enquanto as câmeras flagravam CR7 no banco de reservas com o olhar fixo e a expressão fechada, o substituto Rúben Neves calou críticos e céticos com uma atuação de gala. Gonçalo Ramos, de cabeça aos 47 minutos do segundo tempo, o gol que quebrou a resistência croata e deu a vitória suada à equipe lusa. A comemoração efusiva dos jogadores, abraçando o herói improvável, contrastou com a frieza inicial da torcida, que rapidamente transformou a desconfiança em euforia. Com o apito final, Martínez respirou aliviado: a substituição polêmica, que poderia lhe custar o cargo, acabou por consagrá-lo como um visionário de olho no coletivo acima do individual.

Analisando o desempenho das quatro seleções em campo, o que se desenha é um cenário curioso e promissor para Portugal. Embora a Espanha tenha vencido a Áustria com autoridade e placar elástico de 3 a 0, o desempenho dos austríacos foi pífio, repleto de falhas defensivas e pouca criatividade, o que superestima o triunfo espanhol. Já a Croácia, vice-campeã mundial em 2018 e semifinalista em 2022, impôs muito mais dificuldades a Portugal, exigindo entrega tática e resiliência mental dos comandados de Martínez. Nesse confronto de estilos, a seleção portuguesa mostrou versatilidade para segurar o ímpeto croata e, ao mesmo tempo, explorar contra-ataques com precisão cirúrgica – um repertório que pode ser decisivo diante da Fúria, cujo jogo de posse de bola costuma anular adversários menos dinâmicos.

O duelo entre Portugal e Espanha, marcado para esta segunda-feira (6), às 16h (horário de Brasília), em Dallas (EUA), promete ser muito mais que um clássico ibérico: é um confronto de filosofias, gerações e egos. Enquanto os espanhóis chegam embalados pelo placar largo, mas com a dúvida sobre a real qualidade do teste enfrentado, os portugueses carregam o peso de uma vitória dramática e a confiança de que até mesmo a saída de seu maior ídolo pode se transformar em combustível para o título. As casas de aposta internacionais já colocam Portugal entre os quatro favoritos ao troféu, ao lado de Brasil, França e Argentina. Resta saber se a "estrela" de Roberto Martínez continuará brilhando – ou se a sombra de CR7, no banco ou em campo, será a força motriz de uma geração que sonha alto no coração do Texas.

Por: João Bosco

Foto: FIFA/Divulgação

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