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REVISTA INGLESA ECONOMIST ADVERTE: CANDIDATURA DE LULA EM 2026 É "ARRISCADA DEMAIS" E SUGERE TARCÍSIO COMO ALTERNATIVA

A revista britânica The Economist afirmou que a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva é extremamente arriscada e que o presidente não deve concorrer às eleições de 2026. A princípio, o principal motivo apresentado é a idade avançada de Lula. Em uma análise mais profunda, contudo, a publicação argumenta que, como pré-candidato presidencial, Flávio Bolsonaro é “impopular e ineficaz”, sugerindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como a alternativa mais viável para a direita. “Apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, pontua a revista. O caso de Joe Biden, ex-presidente dos Estados Unidos, é citado como um paralelo, reforçando que candidatos com mais de 80 anos incorrem em riscos elevados.

O posicionamento da Economist, contudo, transcende a mera análise geracional e revela um diagnóstico político específico para o Brasil. Ao desaconselhar Lula pela idade e descartar Flávio Bolsonaro por ineficácia, a publicação projeta um cenário ideal onde a centro-direita brasileira se unificaria em torno de uma liderança técnica e moderada, personificada, em sua visão, por Tarcísio. O perfil defendido é o de um gestor que combine agenda econômica liberal com uma governança pautada pela legalidade, um equilíbrio que, segundo a revista, tem sido fugidio no espectro político nacional.

Essa intervenção editorial de um veículo internacional de peso suscita um debate crucial sobre soberania e narrativa política. Por um lado, traz à tona questões legítimas e universais sobre a renovação de lideranças e os limites etários no exercício de cargos de extrema responsabilidade. Por outro, ao eleger e endossar nominalmente uma alternativa doméstica, a Economist se insere ativamente no jogo político brasileiro, o que pode ser lido como uma forma de influência ou, para alguns, de ingerência. A sugestão de um “candidato ideal” segundo parâmetros externos ignora a complexidade da vontade popular e a dinâmica interna dos partidos.

Por fim, a análise, ainda que pertinente em alguns pontos, parece subestimar a força das variáveis emocionais e identitárias que dominam o eleitorado contemporâneo, não apenas no Brasil, mas no mundo. A recomendação de um projeto puramente técnico e de “centro-direita responsável” pode não encontrar eco em um cenário ainda polarizado e marcado por rejeições mútuas. O verdadeiro risco, portanto, pode não residir exclusivamente na idade de um candidato, mas na incapacidade do sistema político de produzir consensos mínimos e projetos de nação que dialoguem com as urgências do país, para além das recomendações de editoriais estrangeiros.

Por: João Bosco




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