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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DE LULINHA REVELA MOVIMENTAÇÃO DE R$ 19,5 MILHÕES EM QUATRO ANOS

  • 5 de mar.
  • 3 min de leitura

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu, na tarde desta quarta-feira (5), os extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os documentos, obtidos após autorização da comissão e com aval do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que o empresário movimentou R$ 19,5 milhões em uma conta no Banco do Brasil entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026 . No período, foram registradas 1.531 transações bancárias, sendo R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos.

Os extratos mostram ainda três transferências realizadas pelo presidente Lula para o filho, totalizando R$ 721,3 mil. A maior delas, de R$ 384 mil, ocorreu em 22 de julho de 2022, meses antes da eleição presidencial. Outras duas transferências foram feitas em 27 de dezembro de 2023, no valor de R$ 244,8 mil e R$ 92,4 mil, já no primeiro ano do terceiro mandato do petista . No mesmo dia desses repasses, Lulinha também depositou um cheque de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Tarcísio Okamotto, atual diretor do Instituto Lula.

Defesa alega legalidade e adiantamento de herança

Em nota oficial, a defesa de Fábio Luís afirmou que as fontes de renda são "legais e legítimas" e que é "gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo". Sobre as transferências feitas pelo presidente, os advogados esclareceram que os valores dizem respeito a "adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança".

A defesa também contestou a forma como a quebra de sigilo foi aprovada, destacando que a CPMI votou em bloco 87 requerimentos em 26 de fevereiro, sem fundamentação individualizada, o que teria violado o devido processo constitucional. Os advogados informaram que recorreram ao STF pedindo a suspensão da medida, seguindo precedente aberto pelo ministro Flávio Dino, que anulou a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, pela mesma razão .

Movimentações detalham origem dos recursos

A análise dos extratos mostra que a maior parte das entradas na conta de Lulinha veio de resgates de fundos de investimento, que somaram R$ 4,4 milhões no período. Empresas das quais o filho do presidente é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira, também repassaram cerca de R$ 3,2 milhões, incluindo a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia. As empresas têm como atividade registrada serviços de tecnologia da informação, marketing e consultoria em gestão empresarial .

Entre as saídas, a maior parcela — cerca de R$ 4,6 milhões — corresponde a transferências para outras contas do próprio Lulinha. Os extratos também registram pagamentos a ex-sócios da extinta Gamecorp: R$ 750 mil para Kalil Bittar e R$ 704 mil para Jonas Leite Suassuna Filho, este último um dos proprietários do sítio de Atibaia que levou à condenação do presidente Lula na Lava Jato, posteriormente anulada pelo STF.

Investigações seguem no Congresso e no STF

A CPMI do INSS foi instalada para apurar suspeitas de fraudes em benefícios previdenciários e eventuais atuações de servidores públicos em esquemas criminosos . Lulinha passou a ser alvo de questionamentos após a Polícia Federal apreender mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", principal operador do esquema, e a empresária Roberta Luchsinger, que faria possíveis referências ao filho do presidente.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteve na terça-feira (3) a quebra de sigilo de Lulinha, rejeitando recurso da base governista que pedia a anulação da medida. A defesa do empresário, no entanto, apresentou novo pedido ao STF nesta quarta-feira (4) para estender a Lulinha a liminar concedida a Roberta Luchsinger pelo ministro Flávio Dino, argumentando que ambos tiveram os sigilos quebrados pela mesma votação "em globo" sem fundamentação adequada. O caso segue em análise na Corte.



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