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PROTESTO NO IRÃ JÁ CAUSA MAIS DE DUAS MIL MORTES EM MEIO A REPRESSÃO VIOLENTA E CRISE ECONÔMICA

As manifestações populares que há quinze dias sacodem o Irã, motivadas pela grave crise econômica que assola o país, já resultaram em mais de duas mil mortes, conforme confirmado por autoridades iranianas nesta terça-feira, 13. Os protestos, que começaram como reação ao custo de vida insustentável e à escassez de bens essenciais, transformaram-se em um amplo movimento de insatisfação contra o regime, enfrentando uma resposta estatal de extrema violência. O número de vítimas, divulgado pelas próprias fontes oficiais, revela a dimensão trágica da repressão em curso e a determinação do governo em esmagar o dissenso a qualquer custo.

A brutalidade da repressão, caracterizada pelo uso desproporcional e desumano da força contra civis desarmados, tem sido amplamente condenada pela comunidade internacional. Nações e organizações de direitos humanos em todo o mundo classificam as ações do governo iraniano como atos terroristas contra seu próprio povo, uma acusação que se estende também aos representantes do regime no cenário global. Essa condenação unânime evidencia o isolamento crescente de Teerã, que responde às críticas externas com retórica de confronto e negação.

A raiz do mal-estar social remonta a mais de três anos de uma crise econômica profunda, agravada por sanções internacionais e por má gestão interna, que empurrou segmentos significativos da população para a pobreza extrema. Esse cenário de miséria e desesperança é o combustível principal para as revoltas, que também expressam um profundo cansaço em relação a uma elite no poder desde a Revolução de 1979. A população acusa essas autoridades de tratar os cidadãos com descaso e fúria, priorizando a manutenção do controle político sobre o bem-estar da nação.

Em um movimento típico de sua postura geopolítica, as autoridades iranianas atribuem a responsabilidade pela instabilidade a potências estrangeiras, principalmente Israel e Estados Unidos, acusando-as de fomentar o que chamam de "terrorismo, sequestro e protestos em larga escala". Essa narrativa busca deslegitimar as demandas internas e apresentar a agitação como resultado de uma conspiração externa, evitando assim reconhecer as falhas domésticas. Paralelamente, para conter a disseminação de informações, o regime impôs severas restrições de comunicação, incluindo apagões generalizados da internet, na tentativa de isolar o país e dificultar o fluxo de imagens e relatos sobre a violência estatal.

Essa censura digital, no entanto, não tem sido totalmente eficaz em silenciar a voz dos iranianos, nem em deter a onda de solidariedade global. A persistência dos protestos, mesmo sob risco de morte, demonstra uma coragem coletiva e uma mudança potencial no contrato social entre o Estado e seus cidadãos. O desfecho desta crise permanece incerto, mas está claro que o Irã atravessa um dos momentos mais conturbados de sua história recente, onde o clamor por mudanças estruturais ecoa mais alto do que o medo da repressão. O mundo observa com apreensão, enquanto o povo iraniano escreve, com sangue e resistência, um novo capítulo em sua luta por dignidade e direitos.

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