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Pouso Alegre tem alta de 40% em casos de estupro, se tornando exceção na região Sul de Minas

Pouso Alegre registrou um aumento de 40% no número de casos de estupro entre 2023 e 2025, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O município foi o único a contabilizar crescimento nas estatísticas entre os maiores do Sul de Minas. Enquanto isso, Poços de Caldas e Passos apresentaram quedas, e Varginha manteve-se estável, com 15 casos.

Em Poços de Caldas, a redução foi de 32%, com os registros caindo de 25 para 17 ocorrências no período.

Especialistas em segurança pública sugerem que a alta expressiva em Pouso Alegre pode ser analisada por duas perspectivas principais. A primeira aponta para um possível agravamento real da violência sexual na região, demandando atenção urgente das autoridades. A segunda, e não excludente, considera que o crescimento pode refletir uma melhoria nos canais de denúncia e um maior encorajamento das vítimas a buscarem a polícia, um indicador positivo de confiança nas instituições. A queda em municípios como Poços de Caldas, por sua vez, pode ser resultado de políticas preventivas bem-sucedidas ou de subnotificação.

Independentemente da causa, o dado divulgado pela Sejusp acende um alerta social. O estupro é um crime de profundo impacto, que deixa marcas físicas e psicológicas duradouras nas vítimas. A disparidade nos números entre cidades da mesma região evidencia a necessidade de políticas públicas localizadas e de campanhas permanentes de conscientização sobre consentimento, educação sexual e canais de apoio. A estabilidade em Varginha, embora indique uma situação não agravada, também não permite complacência, mantendo o desafio de redução de casos.

Para reverter o cenário, é fundamental uma atuação integrada. Além do rigor na investigação e punição dos agressores, são essenciais investimentos em iluminação pública, patrulhamento preventivo e, principalmente, na rede de acolhimento às vítimas, com delegacias especializadas, assistência psicossocial e jurídica. A educação, desde a base escolar, desempenha um papel crucial na prevenção, desconstruindo culturas machistas e naturalizadoras da violência. A sociedade civil, por meio de coletivos e organizações, também é um agente vital no apoio direto e na pressão por avanços, transformando uma estatística alarmante em um chamado coletivo por mudança.

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