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FALHAS NO SANEAMENTO TRANSFORMAM CHUVA EM CRISE SANITÁRIA E TURÍSTICA EM BÚZIOS

A situação na Praia do Canto na cidade de Búzios (RJ), é a ponta de um iceberg de décadas de omissão no planejamento urbano e ambiental. Especialistas apontam que o crescimento desordenado e vertiginoso do balneário, especialmente a partir dos anos 1990, não foi acompanhado pelos necessários investimentos em infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto. O sistema atual, segundo denúncias de moradores antigos e laudos técnicos, opera muito acima de sua capacidade, funcionando como um "canal de tormenta" que apenas desvia o esgoto bruto para o oceano durante os picos de chuva, em vez de conduzi-lo a uma estação de tratamento. Esta carência histórica transforma um bem público essencial em um vetor de crise sanitária e econômica.

As consequências vão muito além do prejuízo à imagem turística. O contato com águas contaminadas por coliformes fecais representa um risco direto à saúde pública, podendo causar doenças de pele, gastrointestinais graves, hepatite A e outras infecções. Ambientalmente, o despejo contínuo de matéria orgânica e nutrientes no mar provoca a eutrofização, um processo que consome o oxigênio da água, mata a vida marinha e pode levar à proliferação de algas tóxicas. Este cenário compromete os ecossistemas costeiros, a pesca local e a própria qualidade das praias que são a razão de existir da cidade, criando um ciclo vicioso de degradação.

A repetição do cenário após cada chuva coloca sob os holofotes a responsabilidade do poder público municipal e das concessionárias de serviço. Questionamentos se direcionam à eficácia dos investimentos já realizados e à transparência nos planos de expansão do sistema. A sociedade civil e coletivos ambientais cobram não apenas obras emergenciais, mas uma revisão completa do modelo de saneamento, com metas claras, cronogramas rígidos e ampla fiscalização. Enquanto soluções estruturais não forem implementadas, Búzios permanecerá refém do tempo, transformando um evento natural – a chuva – em um símbolo de descaso e uma ameaça à sua principal fonte de riqueza e ao bem-estar de sua população.

Foto: Facebook/Reprodução

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