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PEDÁGIOS EM ALTA, SERVIÇOS EM BAIXA: O ABSURDO QUE SE REPETE NO SUL DE MINAS

27 de jul.
2 min de leitura

Os motoristas que utilizam as rodovias no Sul do estado de Minas Gerais reclamam de mais um aumento dos pedágios, que começou a ser cobrado a partir da zero hora deste domingo (26). Há exatamente um ano, os usuários já haviam enfrentado um reajuste, quando o valor passou de R$ 14,30 para R$ 15,00. Agora, nova majoração eleva a tarifa de R$ 15,00 para R$ 15,80. Somados, os dois aumentos acumulam uma alta de 10,48% entre 2025 e 2026 — percentual que supera folgadamente a inflação do período e revela o descaso com o bolso do cidadão.

Os usuários protestam, afirmando que as tarifas são abusivas, sobretudo para distâncias curtas, nas quais o motorista percorre poucos quilômetros e já é obrigado a desembolsar quase R$ 16,00. Em muitos casos, o valor cobrado por trecho não guarda qualquer proporção com a qualidade da via entregue à população. O que se vê, na prática, é um serviço cada vez mais caro e, paradoxalmente, cada vez menos eficiente.

Na MGC-491, os usuários aguardam há anos o restante da duplicação entre Três Corações e Varginha — obra prometida pelo governo do estado e jamais cumprida. Esse trecho, que é uma das rodovias estaduais mais movimentadas, tornou-se um dos mais críticos e perigosos, pois todo o trânsito oriundo de diversas regiões do estado é direcionado para ele, sem que haja infraestrutura à altura do fluxo suportado. Caminhões, ônibus e carros de passeio dividem espaço em pistas simples, com poucos acostamentos e sinalização deficiente, enquanto as concessionárias seguem faturando recordes e os governantes empurram as promessas com a barriga.

O que mais revolta o usuário é a sensação de estar pagando mais por menos. Enquanto os pedágios sobem ano após ano, as melhorias ficam no papel, os prazos se esvaem e a fiscalização parece inexistente. A população não é contra o pedágio em si, mas contra a falta de contrapartida, a ausência de transparência nos critérios de reajuste e a impunidade das concessionárias que descumprem contratos sem sofrer penalidades à altura. Enquanto isso, o motorista mineiro segue pagando a conta — e andando em estradas que mais parecem um atraso de vida do que um caminho para o desenvolvimento.

Por: João Bosco

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