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O DISCURSO DE LULA NA ONU: PALANQUE ELEITORAL OU TRIBUTO À SOBERANIA?

há 3 minutos
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O presidente Lula discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (22), em um pronunciamento de cerca de 20 minutos que focou nos temas de soberania, multilateralismo e democracia. Durante a fala, o presidente criticou o poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança, condenou a ofensiva israelense em Gaza e defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, rejeitando a presença de forças estrangeiras no combate ao narcotráfico. Lula também criticou o “tarifaço” norte-americano e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, em clara referência à ingerência externa nas eleições brasileiras de outubro.

A fala de Lula na ONU revela uma contradição que merece ser exposta. O presidente subiu à tribuna da Assembleia Geral — um espaço destinado ao debate de questões globais — e transformou o palco internacional em palanque eleitoral. Ao declarar que “não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular”, Lula fez uma defesa que, embora legítima em essência, soa deslocada quando proferida por um candidato à reeleição que busca capitalizar o discurso democrático para si próprio.

Mais grave ainda é a contradição entre o discurso de soberania e a realidade institucional brasileira. Lula criticou a ingerência externa enquanto, internamente, o Supremo Tribunal Federal se converteu em um ringue de acusações mútuas entre ministros, com o próprio presidente da Corte, Edson Fachin, tendo que intervir para retirar relatorias e tentar “colocar ordem na casa”. O caso Banco Master e as investigações do INSS — que envolvem desde o ministro Alexandre de Moraes até o filho do presidente, Fábio Luís — expuseram fraturas profundas no sistema judiciário brasileiro, minando a credibilidade que Lula tanto invoca no exterior.

O timing do discurso é revelador. A dez dias das eleições, Lula escolheu a ONU para projetar uma imagem de estadista que não se sustenta nos fatos domésticos. Criticou o tarifaço que ele mesmo ajudou a atrair com sua postura diplomática nos últimos dois anos, conforme apontam analistas, e tentou apresentar o Brasil como exemplo de combate ao crime organizado enquanto seu próprio filho é alvo de múltiplos inquéritos autorizados pelo STF. A fala do presidente na ONU pode ter sido aplaudida em Nova York, mas o que se vê no Brasil é um governo que discursa sobre soberania enquanto enfrenta uma crise institucional sem precedentes, com reflexos diretos nas pesquisas de intenção de voto.

Por: João Bosco

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