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Ministros desobedecem cúpula do União Brasil e reafirmam permanência no governo de Lula

Em um raro episódio de rebelião interna, os três ministros do União Brasil no governo Lula — Celso Sabino (Turismo), Waldez Góes (Integração Regional) e Frederico da Siqueira (Comunicações) — declararam ao presidente, em reunião no Palácio do Planalto, que desejam permanecer em seus cargos, desafiando a ordem de desligamento emitida pela cúpula nacional do partido. Eles expressaram discordância pública do tom crítico adotado pelos dirigentes partidários em relação ao governo, aprofundando uma crise que expõe a fratura entre a base parlamentar e a executiva da legenda.

A decisão da cúpula do União Brasil, determinando a saída dos ministros, havia sido tomada no início do mês, em um contexto de forte tensão política. Significativamente, a medida ocorreu um dia após o início de uma operação da Polícia Federal que investiga supostas ligações do presidente do partido, Antonio Rueda, com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em nota, o partido defendeu Rueda, afirmando que ele "não tem qualquer participação nestes esquemas", mas a manobra foi amplamente interpretada como uma tentativa de contenção de danos e de demonstrar autonomia em relação ao Planalto.

Agora, o partido se vê em um impasse: sua liderança nacional prevê punições para o descumprimento da ordem, possivelmente incluindo a expulsão dos ministros insubordinados. No entanto, a resistência dos titulares das pastas revela uma falha de articulação e um desafio direto à autoridade de Rueda. A crise também coloca em xeque a federação partidária com o PP (Progressistas), que tinha como premissa uma atuação coordenada, inclusive sobre a decisão de integrar ou deixar a base governista.

O desfecho deste embate é incerto e definirá o futuro do União Brasil. Se a cúpula partidária conseguir impor sua decisão e retirar os ministros, o partido iniciará um processo claro de distanciamento do governo, enfraquecendo a base aliada no Congresso. Por outro lado, se os ministros se mantiverem nos cargos com o aval de Lula e com o apoio de sua bancada, o comando nacional de Rueda sairá fragilizado, podendo até mesmo levar a uma reorganização das forças internas da legenda. O episódio ilustra a complexidade da governabilidade, onde lealdades pessoais e cargos executivos frequentemente se sobrepõem às disciplinas partidárias.

Por: João Bosco

 
 
 

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