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JAQUES WAGNER DEIXA LIDERANÇA DO GOVERNO NO SENADO APÓS PRESSÃO INTERNA E OPERAÇÃO DA PF

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu exoneração do cargo de líder do governo no Senado Federal na nesta quarta-feira (24), após uma semana de pressões internas e externas agravadas pela deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A saída, confirmada por assessores da presidência da Casa, ocorre em um momento delicado para a base aliada, que tenta costurar apoios para a reeleição do chefe do Executivo. Wagner, que ocupava a função desde 2023, resistiu nos últimos dias, mas acabou cedendo diante do desgaste político e de sugestões de correligionários que temiam o reflexo negativo das investigações sobre a imagem do partido.

Nos bastidores, aliados do próprio Partido dos Trabalhadores admitiram que a permanência de Wagner na liderança poderia comprometer a coesão da bancada e alimentar narrativas da oposição em um ano eleitoral. A avaliação interna era de que o senador, embora experiente e articulado, tornara-se um alvo fácil para críticas em razão do cruzamento de informações financeiras reveladas pela operação. Assim, a decisão de afastá-lo do posto foi construída progressivamente, com o intuito de isolar o desgaste pessoal do senador das pautas prioritárias do governo.

O Planalto ainda não anunciou oficialmente o substituto, mas nos corredores do Congresso já circulam três nomes fortes. O favorito é o senador Camilo Santana (PT-PE), ex-governador de Pernambuco e ex-ministro da Educação, que conta com trânsito entre as lideranças partidárias e amplo conhecimento da máquina pública. Ao lado dele, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) é apontada como uma alternativa de perfil conciliador e bom relacionamento com a oposição. Fora do círculo petista, o nome do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), também ganha força — ele já substituiu Wagner no cargo em 2024 e é visto como uma opção técnica e de perfil independente.

A saída de Wagner ocorre em meio à 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras envolvendo instituições privadas, como o Banco Master. Segundo apuração divulgada pela Rede Record, a Polícia Federal apreendeu valores que totalizam R$ 589.823mil nas residências do senador. Wagner afirma que o montante é proveniente de diárias pagas pelo Senado ao longo de sua trajetória parlamentar, mas fontes ligadas à investigação indicam que os registros oficiais não coincidem com o montante declarado, o que motivou a condução de perícia contábil e nova rodada de depoimentos.

O impacto político da operação transcende o âmbito pessoal. A intervenção da PF na casa do petista desmontou a estratégia do PT de atribuir à oposição a responsabilidade pelo caso Master, e os primeiros reflexos já aparecem nas pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta quarta-feira (24), que apontam oscilação negativa para a base governista. Com a liderança vaga e o cenário eleitoral aquecido, o governo corre contra o tempo para recompor a articulação política no Senado, enquanto Jaques Wagner tenta administrar, nos bastidores, os danos à sua própria biografia política.

Por: João Bosco


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