TREMOR DE 7,4 ABALA A COLÔMBIA E DEIXA MAIS DE 100 MORTOS; CIDADES ENTRAM EM ESTADO DE EMERGÊNCIA
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Um forte terremoto de magnitude 7,4 na escala Richter atingiu o centro-oeste da Colômbia na manhã desta segunda-feira (10), provocando uma tragédia de proporções ainda incertas. O balanço oficial já confirma ao menos 100 mortos, mas o número deve crescer nas próximas horas, à medida que equipes de resgate avançam entre os escombros de edifícios desabados em várias cidades. O tremor, registrado às 9h40 (horário local), foi sentido com violência em uma vasta região do país, incluindo a capital, Bogotá, onde a população deixou escritórios e residências em pânico, tomando as ruas diante da instabilidade do solo.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o epicentro foi localizado a apenas 5 quilômetros a leste de San José del Pamar, uma pequena cidade próxima à cordilheira dos Andes, e o hipocentro situou-se a 110 quilômetros de profundidade – o que, apesar de atenuar parcialmente a energia na superfície, não impediu que a onda sísmica causasse estragos em uma área de abrangência superior a 300 quilômetros. O abalo ocorreu a cerca de 284 quilômetros de Bogotá, mas a distância não foi suficiente para poupar a capital, onde vidros de arranha-céus estilhaçaram e alguns imóveis antigos apresentaram rachaduras estruturais. Autoridades geológicas monitoram réplicas, sendo que duas de magnitude superior a 5,0 já foram registradas nas últimas duas horas.

Em Cali, uma das maiores cidades do país, o cenário é de destruição parcial. O prefeito Alejandro Eder confirmou que pelo menos 20 edifícios residenciais e comerciais desabaram completamente, e dezenas de pessoas permanecem soterradas sob toneladas de concreto e aço. Equipes de bombeiros, Defesa Civil e voluntários trabalham contra o tempo com cães farejadores e detectores de calor, mas a falta de maquinário pesado em alguns bairros periféricos dificulta as operações. Há relatos de pelo menos cinco famílias inteiras desaparecidas na comuna 18, onde um conjunto habitacional de seis andares ruiu como um castelo de cartas. Hospitais da região já funcionam com capacidade máxima, e tendas de campanha foram montadas em estacionamentos para atender os feridos.

A infraestrutura de transporte aéreo também sofreu impacto severo. Os aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura tiveram suas operações imediatamente suspensas por determinação da Aeronáutica Civil, enquanto engenheiros avaliam danos em pistas, torres de controle e sistemas de navegação. O Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá, operou com restrições por cerca de duas horas, mas já retomou parcialmente os voos domésticos. A suspensão dos serviços aéreos nessas seis praças, no entanto, compromete o envio rápido de suprimentos e equipes especializadas para as zonas mais afetadas, obrigando o governo a ativar rotas terrestres alternativas, muitas delas em estradas de montanha com risco de deslizamentos.

Na costa do Pacífico, a província de Chocó também registrou danos significativos, embora sem confirmação de mortes até o momento. O tremor provocou ondas anormais no litoral, gerando correria e deixando vários feridos entre moradores de comunidades ribeirinhas e pescadores artesanais. O pânico foi amplificado por um alerta preventivo de tsunami emitido brevemente pelo Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico, que depois foi cancelado, mas o susto já havia provocado fugas desordenadas para áreas elevadas. Escolas e postos de saúde em Quibdó e Nuquí foram improvisados como abrigos, e a energia elétrica ainda não foi totalmente restabelecida em vários setores.

Diante da calamidade, o presidente da Colômbia, Abelardo de La Esprilla, determinou a instalação imediata de um Posto de Comando Unificado (PCU) em Bogotá, com representantes das Forças Armadas, da Defesa Civil, do Ministério da Saúde e da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres. Em pronunciamento oficial, o chefe de Estado solicitou um relatório detalhado da situação em cada município afetado, com ênfase no levantamento de necessidades prioritárias – como água potável, alimentos, medicamentos e abrigos emergenciais. Ele também autorizou a mobilização de recursos do Fundo de Calamidades Públicas e pediu solidariedade internacional. Especialistas em engenharia sísmica alertam que, devido à profundidade do evento, os danos podem se estender a localidades distantes do epicentro, e o governo já estuda a decretação de estado de exceção em pelo menos oito departamentos.
Por: João Bosco










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