INFLAÇÃO, JUROS E OMISSÃO: O TRIPÉ DA IRRESPONSABILIDADE DO GOVERNO FEDERAL QUE SANGRA O BOLSO DO BRASILEIRO
- 2 de jul.
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O povo brasileiro continua mergulhado em um endividamento crônico, mesmo após a implementação do programa "Desenrola", que, apesar do verniz social, revela-se uma medida eminentemente eleitoreira e paliativa. Ao invés de atacar as raízes estruturais do problema, o governo opta por soluções superficiais que tratam a consequência, e não a causa, deixando a maioria da população refém de um ciclo perverso de comprometimento de renda que se renova mês após mês.

O endividamento não é fruto do acaso, mas sim de um ecossistema econômico alimentado por três vetores principais: a inflação crescente, que corrói o poder de compra dos salários; a manutenção de juros elevados, que encarece qualquer operação de crédito; e a oferta desregulada de parcelamentos fáceis, que induz o consumidor a assumir compromissos financeiros além de sua real capacidade. Essa combinação perversa cria um ciclo vicioso e contínuo, no qual a população se endivida para sobreviver e, depois, se endivida ainda mais para pagar as dívidas anteriores.

Ademais, o escopo limitado do "Desenrola" expõe sua natureza seletiva e insuficiente: o programa atua apenas sobre dívidas contraídas no sistema bancário formal, deixando de fora crediários de lojas, contas de consumo essenciais — como água e luz — e boletos diversos que compõem o cotidiano financeiro das famílias. Essa exclusão deliberada demonstra que o governo prioriza o alívio pontual de determinados setores em detrimento de uma solução ampla, que realmente alcançaria os mais vulneráveis, que são justamente os que não têm acesso ao crédito bancário tradicional.

A análise do cotidiano revela uma repartição desigual de culpas: de um lado, parcela significativa da população carece de educação financeira básica e cede ao apelo do consumo parcelado; de outro, porém, o governo federal ostenta responsabilidade maior e inegável na condução desastrosa da política econômica e na regulação frouxa do mercado financeiro. O governo perdeu o controle da inflação, elevando o custo de bens básicos como alimentos e energia, o que força as famílias a recorrerem ao crédito para despesas de mera sobrevivência. Simultaneamente, a incapacidade estrutural de gerar empregos de alta qualificação e de aumentar a renda média real da população cria uma dependência crônica do endividamento como única forma de manter o padrão de vida.

Em síntese, o governo federal revela-se o grande arquiteto da atual crise de endividamento, não apenas pela ausência de uma política efetiva de educação financeira de massa, mas, sobretudo, por sua irresponsabilidade fiscal ao gastar sem lastro e sem receita compatível — alimentando a inflação, pressionando os juros e transferindo o custo de sua própria ineficiência para o bolso do cidadão comum. Enquanto persistir essa lógica de gastos descontrolados e medidas paliativas, o brasileiro médio continuará refém de um sistema que o empurra para o vermelho, ao mesmo tempo em que o governo se exime de sua principal obrigação: garantir estabilidade econômica e dignidade financeira à população que o sustenta.
Por: João Bosco










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