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GOVERNO PERDE O CONTROLE DA INFLAÇÃO E POPULAÇÃO ARCA COM ERRO NA MISTURA DO ETANOL

  • 12 de jun.
  • 2 min de leitura

O governo federal já perdeu as rédeas sobre a inflação brasileira, que vem subindo mês a mês. Em maio de 2026, o índice registrou a maior alta para o período nos últimos cinco anos, escancarando a falta de planejamento econômico da atual gestão. Os alimentos sobem de preço a cada 24 horas, e o acumulado dos últimos 12 meses chegou a 4,72%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), os grupos Alimentos e Habitação foram os maiores responsáveis pelo resultado, pressionando diretamente as famílias de baixa renda, que destinam a maior parte do orçamento para itens essenciais.

Os dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram uma piora significativa na comparação anual. Em maio de 2025, a inflação do período foi de 0,26%, enquanto no mesmo mês de 2026 o percentual saltou para 0,58% — mais que o dobro. O dado acende um sinal de alerta: ao contrário do que prometeu ao assumir, o governo não apenas não conteve a alta de preços, como também aprofundou a crise. A falta de uma política consistente de controle monetário, somada à intervenção hesitante sobre os preços administrados, fez com que a inflação rompesse barreiras que o próprio governo se comprometeu a respeitar.

Para tentar evitar novos aumentos e reduzir a dependência de importação de gasolina, o governo recorreu a uma artimanha controversa: aumentou a mistura de etanol na gasolina em mais 2%, elevando o percentual de 30% para 32%. Vale lembrar que, em 2022, o percentual era de 27%, ou seja, houve um acréscimo de cinco pontos percentuais em apenas quatro anos. A medida, apresentada como solução para conter a alta dos combustíveis, ignora um fato técnico fundamental: o etanol possui menor poder calorífico que a gasolina. Na prática, quanto maior a mistura, menor a autonomia do veículo, e o consumidor acaba abastecendo com mais frequência.

O grande paradoxo é que quem pagará a conta dessa decisão precipitada é justamente o povo brasileiro. Com um consumo maior de combustível por quilômetro rodado, o motorista terá um gasto real superior, neutralizando qualquer eventual economia na bomba. O governo, ao empurrar essa falsa solução, demonstra mais uma vez que prefere atalhos eleitoreiros e medidas paliativas a enfrentar a raiz do problema: a política de preços da Petrobras, a carga tributária abusiva e a ausência de investimentos em refino. Enquanto isso, a inflação corrói salários, alimentos pesam no carrinho e o cidadão comum amarga, silenciosamente, o preço da incompetência administrativa. Sem uma mudança de rumo urgente, o país continuará patinando entre índices ruins e decisões piores.

Por: João Bosco

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