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GOVERNO AUMENTA ÁLCOOL NA GASOLINA E TRANSFERE A CONTA DA CRISE PARA O POVO

há 4 horas
2 min de leitura

O governo alardeia ter tornado o país autossuficiente na produção de gasolina, mas, na prática, quem paga a conta é o povo brasileiro. A mistura de etanol na gasolina subiu de 30% para 32%, e o consumo dos veículos aumenta consideravelmente, pesando ainda mais no bolso do consumidor. Mais uma vez, diante da crise, o governo escolhe a saída mais fácil: mexe no combustível, evita enfrentar problemas estruturais e transfere o prejuízo para quem abastece.

Com 32% de etanol na gasolina, o consumidor pode esquecer a antiga regra dos 70% na comparação entre gasolina e etanol. Como o consumo tende a ser bem maior, a suposta vantagem do álcool pode desaparecer em muitos casos; em certos postos, o preço do etanol até pode parecer mais atrativo, mas o rendimento real do veículo e o custo por quilômetro rodado precisam ser levados em conta. Ou seja: o governo anuncia uma medida, mas quem tem de refazer as contas é o motorista.

Para carros que não são flex, o problema pode ser ainda maior. Esses veículos saem de fábrica regulados para uma mistura de 27% a 30%. Com 32% de etanol, pode haver desgaste mais rápido de peças e alteração no funcionamento do motor, que deixa de corresponder ao desempenho original, exigindo nova regulagem em concessionária autorizada — mais um custo para o proprietário.

A medida vale por 180 dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período, substituindo temporariamente o percentual anterior de 30%. No entanto, começou a valer em 1º de agosto de 2026 sem estudo prévio de impacto, como é praxe da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É um improviso que sacrifica o consumidor, prejudica a transparência e transforma uma crise de gestão em conta paga pelo povo.

Em vez de buscar planejamento, diálogo técnico e soluções estruturais, o governo opta por paliativos e empurra o custo para o brasileiro. A conta chega ao bolso, à manutenção do veículo e à qualidade do combustível. Enquanto isso, a crise continua — apenas mais cara para quem trabalha e abastece.

Por: João Bosco

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