GASTOS ACIMA DA RECEITA ELEVAM A SELIC E ESTRANGULAM A ECONOMIA BRASILEIRA

O desequilíbrio fiscal do governo federal — que gasta sistematicamente mais do que arrecada — tem colocado a taxa Selic entre as mais altas da história do Brasil. Nesta quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa de 14% para 13,75% ao ano, um alívio de apenas 0,25 ponto percentual que, embora sinalize uma inflexão na política monetária, está longe de resolver o problema estrutural das contas públicas. A Selic continua em patamar estratosférico, incompatível com a realidade econômica da maioria dos brasileiros.

Como principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação, a Selic alta é, em teoria, uma ferramenta técnica. Na prática, porém, ela se torna uma armadilha quando o descontrole fiscal obriga a autoridade monetária a manter os juros elevados por tempo prolongado. O governo federal, ao gastar mais do que arrecada, pressiona a demanda e a inflação, forçando o Copom a agir com dureza. Ou seja: o mesmo governo que reclama dos juros altos é o principal responsável por mantê-los nesse patamar.

O impacto dessa dinâmica sobre a dívida pública é devastador. A cada 1% de alta na Selic, a dívida pública cresce entre 50 bilhões e 55 bilhões de reais. Esse montante colossal consome centenas de bilhões de reais das contas públicas, pressiona o déficit nacional e dificulta o controle da relação dívida/PIB. Para se financiar, o governo emite cada vez mais títulos públicos, alimentando um ciclo vicioso de endividamento que compromete o presente e hipoteca o futuro das próximas gerações.

As consequências dessa sangria são sentidas diretamente pela população. Com menos recursos disponíveis, sobram migalhas para investimentos em infraestrutura, saúde e educação. O governo é forçado a adotar contingenciamentos e cortes de gastos direcionados, criando um cenário em que o custo financeiro da dívida compete — e frequentemente vence — as despesas essenciais do Estado. Enquanto isso, o cidadão comum paga a conta com serviços públicos sucateados e impostos cada vez mais altos.

Diante desse quadro, é imperativo que o governo federal encare o problema pela raiz: sem ajuste fiscal sério, corte de privilégios e revisão de gastos excessivos, a Selic continuará alta e a economia seguirá patinando. Não se trata de defender arrocho ou recessão, mas de exigir responsabilidade na gestão do dinheiro público. O Brasil não pode continuar refém de um modelo em que o governo gasta mal, o Banco Central pune com juros altos e o povo paga a conta duas vezes — no imposto e no serviço público deficiente.
Por: João Bosco









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