AUMENTO DO BOLSA FAMÍLIA: MEDIDA ELEITOREIRA OU NECESSIDADE REAL? O QUE O GOVERNO DEVERIA OFERECER AO POVO BRASILEIRO

O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (17), o aumento do piso do Bolsa Família de 600 reais para 691 reais, um reajuste de 15,04%. A medida terá um impacto fiscal estimado em 5 bilhões de reais em 2026 e de 22 bilhões em 2027. O benefício médio também subirá de 675 reais para 777 reais, e a mudança passa a valer já no pagamento de outubro. O anúncio, feito em ritmo de campanha, levanta suspeitas sobre os verdadeiros objetivos da medida.

Dois cenários se desenham a partir desse reajuste. O primeiro, e mais provável, é o caráter eleitoreiro da decisão: às vésperas das eleições de outubro, o governo busca conquistar o voto dos beneficiários com um aumento que soa mais como estratégia política do que como política pública estruturada. O segundo cenário seria a tentativa de recompor a inflação medida pelo INPC desde o relançamento do programa, em março de 2023. Ainda que a justificativa técnica exista, é impossível ignorar o timing conveniente do anúncio.

Segundo o Ministério do Planejamento, o aumento não afetará as metas fiscais e será integralmente absorvido pelas regras do arcabouço fiscal. No entanto, a conta de 22 bilhões de reais em 2027 não pode ser tratada como detalhe. Em um país que já convive com gastos excessivos, dívida pública crescente e juros entre os mais altos do mundo, a expansão de despesas sem contrapartida de eficiência e resultados concretos apenas agrava o desequilíbrio das contas públicas e transfere o custo para o contribuinte.

O que o governo deveria oferecer ao povo brasileiro não é apenas um aumento emergencial que alivia o bolso por alguns meses, mas sim uma política social que una assistência e emancipação. Em vez de criar desocupados por todo o país, o poder público deveria investir na geração de empregos, na qualificação profissional e em condições e metas que permitam aos beneficiários conquistar autonomia. Parte do benefício poderia estar condicionada à participação em cursos de capacitação, à busca ativa de trabalho ou ao empreendedorismo, transformando o auxílio em ponte para a independência financeira, e não em armadilha de dependência.

Além disso, o governo precisaria enfrentar com seriedade os problemas estruturais que mantêm milhões de brasileiros na pobreza: a falta de saneamento básico, a precariedade da saúde pública, a educação deficiente e a insegurança alimentar. Um país que arrecada trilhões em impostos e não consegue oferecer serviços públicos de qualidade precisa rever suas prioridades. O aumento do Bolsa Família, por si só, não resolve nada — pelo contrário, sem uma estratégia ampla de desenvolvimento econômico e inclusão produtiva, corre o risco de ser apenas mais uma medida eleitoreira que perpetua o ciclo de dependência e desigualdade.
Por: João Bosco









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