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"Eu esmagarei os rivais": A retórica de Khamenei diante dos protestos no Irã e a crise interna

A retórica de confronto e a atribuição de culpa a atores externos, como os Estados Unidos, é uma estratégia recorrente no discurso oficial iraniano diante de crises internas. Especialistas em política internacional observam que esse posicionamento busca desviar o foco das críticas e insatisfações domésticas, consolidando uma narrativa de resistência nacional contra supostas interferências estrangeiras. No entanto, relatórios de observadores independentes e agências da ONU têm destacado que as principais demandas dos manifestantes são de natureza socioeconômica e por maior liberdade civil.

A resposta às manifestações por parte das forças de segurança iranianas tem sido alvo de duras críticas por parte de organizações como a Anistia Internacional e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Essas entidades apontam para o uso desproporcional da força, detenções arbitrárias e supostas violações sistemáticas dos direitos humanos, configurando, na avaliação de muitos analistas, uma política de repressão que ignora os apelos por reformas e diálogo.

Em contraponto à narrativa oficial, estudiosos da região argumentam que a crise atual reflete uma desconexão profunda entre as estruturas de poder e as necessidades de uma população majoritariamente jovem e urbana. A persistência de sanções econômicas internacionais, embora citada pelo governo como causa principal das dificuldades, é apenas um fator em um cenário mais complexo, que inclui questões de gestão interna, distribuição de recursos e ausência de canais eficazes de participação política.

A postura adotada pelo líder supremo, longe de isolar o país de pressões externas, pode intensificar o isolamento diplomático e agravar a crise humanitária. A comunidade internacional permanece dividida entre defensores de uma abordagem de maior pressão e os que advogam por um engajamento condicional, enquanto o futuro imediato do Irã parece depender da capacidade de seus líderes em reconhecer e responder às legítimas demandas de sua população por dignidade, justiça econômica e respeito aos direitos fundamentais.

Por: João Bosco

Foto: Mahsa

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