EDUARDO CUNHA, FIGURA CENTRAL DA CRISE POLÍTICA DE 2016, ANUNCIA CANDIDATURA A DEPUTADO FEDERAL POR MINAS GERAIS
- jbcomunicacoes100
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Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e figura central no processo que levou ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016, afirmou sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais. A decisão surge após uma série de revezes jurídicos e políticos: Cunha foi condenado na Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de receber propina de US$ 5 milhões em contratos da Petrobras, e posteriormente teve o mandato cassado por decisão do plenário da Câmara, com 410 votos a favor, por quebra de decoro parlamentar.

Analistas apontam que a mudança de domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Minas Gerais não é aleatória. Nos últimos anos, Cunha investiu na montagem de uma rede de rádios evangélicas no estado mineiro, buscando consolidar uma base de apoio no eleitorado religioso, segmento crucial em suas campanhas anteriores. Além disso, Minas Gerais oferece um colégio eleitoral amplo e diversificado, sendo tradicionalmente um estado-chave na política nacional. Em suas justificativas públicas, Cunha optou por um argumento de caráter geopolítico: “Minas Gerais é a síntese do Brasil”, declarou, destacando a localização central e as fronteiras com seis estados como fatores únicos para uma projeção política.

A candidatura representa uma tentativa de ressurreição política após anos de ostracismo. Cassado e condenado, Cunha foi beneficiado pelo projeto de lei da deputada Dani Cunha, filha do ex-deputado, que alterou a Lei da Ficha Limpa. Sua estratégia parece mirar um eleitorado específico: além dos fiéis das emissoras evangélicas, busca atrair votos de descontentes com o establishment político, posicionando-se como um outsider, apesar de sua longa trajetória no centro do poder. A escolha por Minas, onde não possui histórico eleitoral recente, é também uma tentativa de se distanciar do desgaste acumulado no Rio de Janeiro, seu reduto original.

A chegada de Eduardo Cunha ao cenário eleitoral mineiro gara reações mistas. Para alguns, é a consolidação de uma polarização que transcende o espectro esquerda-direita, centrando-se em figuras controversas e no antipetismo que ele ainda simboliza para parte do eleitorado. Para outros, sua presença na disputa pode fragmentar votos de candidatos conservadores e inflamar o debate sobre a ética na política. Seu sucesso ou fracasso nas urnas será um termômetro significativo do peso do passado jurídico versus a eficácia de redes clientelistas e de comunicação segmentada na política brasileira contemporânea.
Por: João Bosco
Foto: Redes Sociais









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