DÍVIDA PÚBLICA E FUGA DE EMPRESAS ACENDEM ALERTA PARA ECONOMIA BRASILEIRA EM 2026
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Há 23 anos, desde que assumiu seu primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez da erradicação da fome uma das principais bandeiras de seus discursos eleitorais. Embora o objetivo não tenha sido alcançado em 23 anos à frente do país, o PT mantém a promessa como pilar central de sua campanha em 2026, repetindo o tom de mobilização social que marcou suas vitórias anteriores. Críticos, porém, avaliam que o discurso histórico corre o risco de se desgastar diante da persistência dos índices de insegurança alimentar, que seguem em patamares elevados apesar dos programas de transferência de renda.

Paralelamente, o ambiente de negócios no Brasil enfrenta uma onda de desinvestimentos que preocupa especialistas e entidades setoriais. O elevado custo tributário tem levado empresas de diversos portes a migrar suas operações para o Paraguai, país que experimenta um crescimento acelerado e se consolidou como destino atrativo para indústrias brasileiras. Marcas tradicionais como Lupo, Riachuelo e Kid Calçados são exemplos de companhias que optaram pela terceirização da produção em território paraguaio, onde os encargos fiscais são significativamente menores e a burocracia é mais enxuta.

O movimento migratório empresarial ganhou proporções históricas. Segundo levantamentos recentes, o número de empresas brasileiras instaladas no Paraguai saltou de 40 para mais de 200 nos últimos quatro anos, impulsionado por uma política de atração de investimentos e isenções fiscais adotada pelo país vizinho. Esse fenômeno, associado à desindustrialização interna, acende um alerta para o mercado de trabalho brasileiro, que pode registrar nos próximos anos a maior taxa de desemprego das últimas duas décadas, afetando principalmente trabalhadores do setor fabril e de serviços correlatos.

O setor automotivo, um dos pilares da indústria nacional, também sente os impactos da crise estrutural. A Toyota encerrou recentemente a produção do Corolla em Indaiatuba (SP), resultando em mais de 1,5 mil demissões diretas. A Mercedes-Benz também interrompeu suas atividades em Iracemápolis (SP), enquanto a Audi concedeu férias coletivas em sua fábrica de São José dos Pinhais (PR). No atual mandato presidencial, ao menos 13 montadoras já adotaram medidas semelhantes, evidenciando a fragilidade do setor e a perda de competitividade da indústria nacional diante de custos crescentes.

Especialistas atribuem esse cenário à política monetária conduzida pelo governo federal, que registrou elevação expressiva da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). De 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no início do mandato, o indicador subiu para 81,1%, representando um aumento de 9,4 pontos percentuais. Com isso, o país atingiu a marca histórica de R$ 10,6 trilhões em endividamento público, o maior patamar dos últimos cinco anos. Economistas alertam que o descontrole fiscal e a falta de reformas estruturais podem agravar ainda mais o quadro, comprometendo investimentos, gerando desconfiança no mercado e penalizando diretamente a população com juros altos e inflação persistente.
Por: João Bosco










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