Corte no programa de imunização, justificado por alto custo, gera críticas sobre prioridades e gestão de recursos públicos
- jbcomunicacoes100
- 20 de jan.
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Em uma decisão publicada no Diário Oficial da União (DOU), o governo federal bloqueou a incorporação da vacina contra herpes zóster no Sistema Único de Saúde (SUS) para a população idosa. O anúncio ocorre em meio a debates sobre a sustentabilidade financeira do sistema e a revisão de gastos públicos.

A justificativa oficial, apresentada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), foi o alto custo do imunizante e o impacto orçamentário que sua distribuição em larga escala traria ao programa nacional de imunizações. A Conitec avaliou que os recursos poderiam ser realocados para outras frentes de combate à doença.

A decisão, no entanto, foi recebida com criticas de especialistas em saúde pública e de entidades representativas de idosos. Eles argumentam que a restrição é espantosa, dado o perfil epidemiológico da doença: a reativação do vírus da herpes zóster é particularmente comum e severa em pessoas acima de 80 anos, faixa etária onde a imunidade tende a ser mais baixa e as complicações, como a neuralgia pós-herpética, são mais frequentes e debilitantes.

Os críticos apontam uma contradição nas prioridades do governo. Enquanto um medicamento comprovadamente eficaz na prevenção de sofrimento e internações é barrado por questões orçamentárias, gastos considerados não essenciais, como deslocamentos oficiais, não sofrem o mesmo escrutínio. A pergunta que fica, segundo analistas, é sobre a transparência e o rigor no processo de definição de cortes: por que a tesoura recai primeiro sobre a saúde preventiva de uma população vulnerável, e não sobre despesas administrativas discricionárias? O debate evidencia o dilema entre contenção fiscal e a garantia do direito à saúde, um tensionamento que deve permanecer no centro da discussão sobre o futuro do SUS.
Por: João Bosco
Foto: Crédito/Dra. Keilla Freiras








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