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Copom mantém Selic em 15% ao ano sob críticas do governo e cenário externo incerto

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, na noite desta quarta-feira (28), a decisão de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. A resolução contrariou as expectativas do governo federal, que projetava um início de ciclo de cortes. Com a medida, a Selic permanece no maior patamar desde julho de 2026, quando atingiu 15,25% ao ano, mantendo o Brasil entre os países com os juros reais mais elevados do mundo.

A decisão técnica do colegiado gerou reação imediata no Planalto. A ministra-chefe das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, fez duras críticas ao Copom, associando a manutenção da taxa elevada ao aumento da dívida pública federal. "Os juros altos asfixiam a economia e oneram injustamente os cofres públicos", declarou a ministra, refletindo a tensão constante entre a autoridade monetária, que visa o controle da inflação, e a política fiscal expansionista do governo.

Em nota, o Banco Central justificou a decisão citando a persistência de um "ambiente externo incerto", influenciado pela condução da política econômica dos Estados Unidos. O comitê avaliou que a conjuntura internacional exige cautela por parte dos bancos centrais de economias emergentes, como o Brasil, para evitar pressões desinflacionárias e proteger a moeda nacional. Internamente, o BC destacou que os riscos para a trajetória da inflação permanecem em "ambos os lados", equilibrando pressões de serviços e expectativas de mercado.

A manutenção da Selic em 15% sinaliza que o ciclo de alta, que se estende desde 2023, ainda não encontrou um ponto de virada definitivo. Analistas de mercado agora projetam que os cortes podem ser adiados para o segundo semestre, condicionados a uma convergência mais clara da inflação para o centro da meta e a uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica. A próxima reunião do Copom, em maio, será crucial para definir o novo ritmo da política monetária.

Por: João Bosco

Foto Arte: Empiricus


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