Congressistas aprovam aumento de até 100% para servidores do Legislativo, gerando críticas sobre distanciamento da realidade nacional
- jbcomunicacoes100
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Em uma decisão que gerou intensa controvérsia e críticas de especialistas em gestão pública, a mesa diretora da Câmara dos Deputados e do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), um pacote de reajustes salariais para servidores do próprio Legislativo que pode chegar a 70% de aumento, ultrapassando 100% em alguns casos com a inclusão de gratificações. O plano prevê ainda reajustes anuais até 2029, em nítido contraste com a realidade da maioria dos brasileiros, que receberam um reajuste do salário mínimo de 6,79% neste ano – equivalente a R$ 103,00 a mais na folha. A decisão, tomada de forma interna e sem amplo debate público, é apontada por analistas como um exemplo do abismo entre a classe política e a população, questionando o compromisso dos parlamentares com a austeridade fiscal e a justiça social.

Os detalhes da medida revelam seu caráter extensivo e privilegiado. Para os servidores efetivos da Câmara, o aumento imediato é de 9,25%, e de para efeitvos de carreira 8,63%, além de diversas gratificações que podem elevar o rendimento total para além do teto constitucional do funcionalismo público. A aprovação ocorreu em um momento de restrições orçamentárias e pressão por contenção de gastos, o que levanta sérias questões sobre a prioridade dos parlamentares. Enquanto projetos sociais e investimentos em áreas como saúde e educação sofrem com contingenciamentos, o Legislativo direciona vultosos recursos para beneficiar seu próprio quadro funcional, em um claro movimento de autoreforço.

A pergunta que ecoa entre cidadãos e observadores políticos é: onde estão os verdadeiros representantes do povo brasileiro? A decisão, vista como um ato de autorreferência e distanciamento, mina a confiança nas instituições e alimenta a percepção de que o Congresso opera sob lógicas apartadas do interesse nacional. Em vez de liderar pelo exemplo em um período que exige responsabilidade fiscal e sensibilidade social, a medida aprofunda a crise de representatividade e expõe a desconexão entre as elites políticas e as urgentes demandas da sociedade por equidade e transparência na aplicação dos recursos públicos.
Por: João Bosco








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