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CNI REÚNE PRESIDENCIÁVEIS EM BRASÍLIA; ZEMA DESTACA-SE COM DISCURSO DE CHOQUE DE MORALIDADE E CRÍTICAS A PROGRAMAS SOCIAIS

23 de jun.
2 min de leitura

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu, nesta segunda-feira (22), em Brasília, um evento de grande repercussão política que reuniu três dos principais nomes cotados para a disputa presidencial de 2026: os ex-governadores Romeu Zema (NOVO-MG), Ronaldo Caiado (PSD) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A iniciativa, que contou com a presença de empresários, lideranças setoriais e representantes do setor produtivo, teve como objetivo ouvir as propostas dos pré-candidatos para o desenvolvimento econômico e industrial do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Renan Santos foram convidados, mas não compareceram ao encontro, que já era aguardado com grande expectativa pelos círculos políticos e econômicos da capital federal.

Entre os participantes, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi o que mais se destacou, recebendo longos aplausos e reações entusiasmadas da plateia. Em seu discurso, Zema defendeu um "choque de moralidade" na administração pública e criticou duramente os altos gastos do governo federal sob a gestão do PT, prometendo rigor no combate à criminalidade e uma revisão profunda dos programas sociais. Em tom irônico, o mineiro provocou risos ao declarar, sem citar nomes: "Moro na mesma cidade que o banqueiro bandido, mas nunca encontrei com ele. Ele nunca sequer me pediu audiência. Assombração sabe para quem aparece", em clara alusão ao seu adversário político.

Zema também endureceu o tom ao abordar a política de transferência de renda, afirmando que é necessário rever os critérios de concessão de benefícios sociais. "O que tem de marmanjão de 20, 25 anos recebendo benefício e que só aceita bico! Estamos criando uma geração de imprestáveis", disparou o ex-governador, sendo novamente aplaudido por boa parte dos presentes. A fala de Zema repercutiu como a mais contundente do evento, consolidando sua imagem de gestor austero e alinhado ao discurso de responsabilidade fiscal e meritocracia, bandeiras que têm conquistado espaço entre o eleitorado mais conservador.

Já o senador Flávio Bolsonaro direcionou seu discurso quase que integralmente ao governo petista, classificando o presidente Lula como "o maior problema do Brasil" e referindo-se ao ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como "Fernando Taxad", em crítica à política tributária vigente. O parlamentar prometeu revogar a Reforma Tributária com o apoio da CNI e também fez duras acusações ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que a Corte "parece mais uma delegacia de polícia". As declarações do senador, embora tenham agradado a parcela mais radicalizada do público, não tiveram a mesma receptividade que as de Zema, sendo vistas por analistas como repetitivas em relação ao discurso bolsonarista tradicional.

Por sua vez, Ronaldo Caiado chegou atrasado ao evento e discursou para um público já reduzido, o que diminuiu o impacto de sua fala. O ex-governador de Goiás criticou a falta de um estadistas no cenário político atual e defendeu a necessidade de "estrutura moral" para conduzir o país, em uma indireta ao senador Flávio Bolsonaro, sem, no entanto, mencioná-lo diretamente. Apesar do tom ponderado e institucional, a ausência de propostas concretas e o horário desfavorável prejudicaram a visibilidade de Caiado no evento. A CNI avaliou positivamente o encontro, que trouxe à tona as principais divergências entre os pré-candidatos e sinalizou os rumos do debate eleitoral para os próximos meses, com Zema saindo politamente fortalecido do confronto de ideias.

Por: João Bosco


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