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CHANTAGEM E ARROGÂNCIA: O DISCURSO DE LULA EM IPATINGA CONTRA MINAS GERAIS

há 2 horas
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No discurso político em Minas Gerais, mais precisamente em Ipatinga, na tarde desta sexta-feira (16), o presidente Lula, candidato à reeleição, não apenas ameaçou o governador eleito no estado, mas o chantageou abertamente:

“Minas Gerais elegeu um governador, elegeu. Não foi o nosso, mas elegeu o governador, e a vontade do povo tem de ser respeitada. O Cleitinho é o governador do povo mineiro. Portanto, quero dizer aqui para vocês: ele tem de saber que a única chance que ele tem de recuperar este estado que o Zema estragou, a única chance que ele tem de ter obras acontecendo aqui, é eu ganhar as eleições para tratar ele com respeito que o povo de Minas dedicou a ele. Portanto, se a gente não ganha, tudo o que está investido em Minas Gerais vai ser paralisado; isto aqui vai ficar um cemitério de obras paralisadas. Eu tenho certeza de que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar; ele só tem de ficar quietinho, porque ele só tem a ganhar no final das eleições.”

Por meio dessa ameaça, conhece-se o presidente-candidato à reeleição. Ele precisa saber que, encerradas as eleições, o Brasil é um só. O povo mineiro merece respeito; é um povo digno, com um estado representativo na esfera federal. Nem o povo nem o governador eleito podem se deixar levar por ameaças dessa natureza que, diga-se de passagem, são um grande absurdo e uma falta de respeito para com Minas Gerais e seu povo. Não é assim que se faz política, muito menos campanha política: com ameaças contra a vontade do povo que elegeu Cleitinho como seu governador, avisando-o de que ele deve “ficar quietinho”. Lula sabe que Minas Gerais é um estado decisivo nas eleições e, ali, deixa de se comportar como presidente-candidato para agir como uma espécie de delegado do Palácio Tiradentes. Que absurdo! É isso que o povo mineiro quer na Presidência da República?

A fala revela um modo de fazer política que trata o investimento público como favor e o eleitor como refém. Ao condicionar obras e recursos federais à vitória eleitoral, Lula flerta com a chantagem institucional e desrespeita o pacto federativo. Ameaçar paralisar investimentos em Minas Gerais é penalizar a população por não votar conforme a conveniência do governo federal. O tom de que o governador eleito deve “ficar quietinho” é incompatível com a democracia e com o respeito devido a um estado que tem peso decisivo na vida nacional. A crítica não é à disputa política em si, mas ao uso do aparato federal como instrumento de pressão. Minas Gerais não é curral eleitoral, e seu povo não pode ser tratado como massa de manobra.

Por: João Bosco


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