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CENTRÃO AVALIA REAPROXIMAÇÃO COM O GOVERNO LULA APÓS ELEIÇÕES

27 de out.
2 min de leitura

Após apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, o Centrão passou a falar em reaproximação com o governo Lula, enquanto interlocutores relatam surpresa com o resultado eleitoral. A movimentação ocorre em um cenário de recomposição política e de busca por espaço nos próximos quatro anos.

Partidos como Republicanos e União Brasil são duas das siglas que já admitem a possibilidade de reaproximação. No cenário composto pelo Senado e pela Câmara dos Deputados para os próximos quatro anos, a aproximação entre o governo e partidos do Centrão é avaliada como benéfica para ambas as partes. Com minoria nas duas Casas, o governo terá dificuldade de governabilidade; qualquer partido que venha a somar, mesmo com menor representatividade, ajudará na construção de maioria.

Para os deputados, essa reaproximação estreita o trâmite das emendas durante a próxima gestão. O governo já tem uma visão de como será seu relacionamento com as duas Casas no próximo mandato e, por isso, não deve se opor a uma reaproximação nem à troca de favores. Por outro lado, a distribuição de ministérios interessa aos partidos como forma de garantir uma convivência harmoniosa entre o governo e o Congresso.

A contenção de gastos nos próximos quatro anos deverá ser uma constante no governo Lula, pois um ajuste fiscal lhe será cobrado pelos partidos de oposição. Lula já deu sinais de que programas sociais poderão passar por revisão ao afirmar, em discurso na Avenida Paulista após vencer as eleições, que “ninguém pode ficar pobre eternamente”, o que indica que até o Bolsa Família poderá ter ajustes.

A expectativa é que as negociações entre governo e Centrão definam os rumos da governabilidade e do orçamento no próximo mandato. Enquanto os partidos buscam espaço e participação no Executivo, o governo precisa ampliar sua base de apoio no Legislativo. O desfecho dessa reaproximação dependerá da distribuição de ministérios, do acesso às emendas e da capacidade de ambos os lados de sustentar acordos políticos.

Por: João Bosco

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