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Acordo UE-Mercosul: Após 25 Anos, o Desafio é Equilibrar Comércio e Cláusulas Ambientais

Após 25 anos de complexas negociações, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul encontra-se em sua fase decisiva, prometendo redefinir as relações comerciais entre os dois blocos. A principal resistência europeia concentra-se no agronegócio brasileiro, exigindo ajustes e garantias quanto aos critérios ambientais, sanitários e de rastreabilidade. O receio envolve padrões de desmatamento, uso de pesticidas e condições de produção, temas que se tornaram cláusulas políticas essenciais para a ratificação do tratado pelo Parlamento Europeu.

Na reta final, o acordo deve promover transformações significativas em setores-chave. Por um lado, produtos europeus como vinhos, azeites, queijos, medicamentos e máquinas de alta tecnologia terão tarifas reduzidas no mercado sul-americano. Por outro, o Brasil e seus parceiros do Mercosul esperam ampliar substancialmente as exportações de commodities como carnes, etanol, soja e suco de laranja, conquistando espaço nas prateleiras do continente europeu. Essa abertura demandará adaptações competitivas tanto da indústria quanto do agronegócio brasileiro.

A dimensão econômica do acordo é monumental: ele criará uma zona de livre comércio que abrange aproximadamente 720 milhões de consumidores — cerca de 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, representando cerca de 25% do PIB global. O objetivo central é a eliminação progressiva da maioria das tarifas alfandegárias, reduzindo custos e burocracias, o que deve fomentar investimentos bilaterais, transferência de tecnologia e a integração das cadeias produtivas.

Por: João Bosco

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