ACADÊMICOS DE NITERÓI É REBAIXADA NO CARNAVAL DO RIO E ENREDO SOBRE LULA GERANDO UMA POLÊMICA NACIONAL
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A Acadêmicos de Niterói amargou a última colocação no Grupo de Elite das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, sendo rebaixada com apenas 264,6 pontos. A agremiação, que depositava suas esperanças no enredo "Do Alto do Mulungu Surge Uma Esperança: Lula, o operário do Brasil", acabou enfrentando uma rejeição histórica tanto nas apurações dos jurados quanto na opinião popular. O resultado negativo gerou uma onda de críticas nas redes sociais, que chegaram a tal ponto que a escola precisou fechar seus canais de interação diante da enxurrada de manifestações negativas vindas de diversos estados do país.

Especialistas e integrantes da comunidade do samba apontam que a escolha do tema foi o grande "tiro no pé" da agremiação. Para muitos, o desfile das escolas de samba deveria ser um espaço para celebrar a riqueza da história e da arte brasileira, e não um palco para manifestações político-partidárias. "O povo queria um grande samba-enredo que exaltasse nossa cultura, nossas tradições, não um enredo que dividisse opiniões e transformasse a avenida em comício", disparou um diretor de bateria de outra agremiação, sob condição de anonimato. A mistura do samba com política escancarou a insatisfação de parcela significativa do público, que espera dos desfiles um espetáculo cultural e artístico, não uma plataforma de propaganda ideológica.

O descontentamento popular não se restringiu às redes sociais. A polêmica envolvendo a Acadêmicos de Niterói chegou à esfera judicial, com diversos partidos políticos acionando a Justiça Eleitoral. As ações alegam que o enredo configurou propaganda política antecipada, uma vez que exaltava a figura do atual presidente da República em um período que não era de campanha eleitoral. Além disso, os questionamentos apontam para o uso indevido de dinheiro público, já que a escola recebe subvenções para a realização do desfile, e questionam se esses recursos deveriam ser utilizados para financiar um enredo de cunho político-partidário.

A controvérsia envolvendo a Acadêmicos de Niterói reacendeu um antigo debate no mundo do samba: até que ponto a política deve se misturar com a maior manifestação cultural do país? Para críticos e foliões tradicionais, a função da escola de samba é emocionar, contar histórias e exaltar a cultura brasileira, não servir como instrumento de promoção partidária. Ao transformar a avenida em palanque, a agremiação não apenas comprometeu sua colocação no concurso, mas também afastou parte de seu público e manchou sua própria história. O rebaixamento, neste contexto, é visto por muitos como um recado claro: o samba deve manter-se fiel às suas raízes culturais, sem se deixar cooptar por agendas políticas que dividem a nação e desvirtuam a essência do carnaval.
Por: João Bosco
Foto: Redes Sociais








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