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Trump Propõe "Conselho de Paz" para Gaza, Mas Ideia Gera Ceticismo Global e Questiona Papel da ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu a comunidade internacional ao anunciar a proposta de criação de um "Conselho de Paz" para resolver o conflito na Faixa de Gaza. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, cerca de 50 países, além da União Europeia, foram convidados a integrar a iniciativa. A lista inclui potências com influência direta no conflito, como Israel, e grandes atores globais como Brasil, Rússia, China, Argentina e Portugal. No entanto, a proposta, divulgada sem detalhes formais, tem sido recebida com ceticismo e uma enxurrada de perguntas por parte dos governos convidados e de observadores internacionais.

O principal ponto de contestação é a completa falta de clareza sobre as regras, o funcionamento e, sobretudo, os objetivos finais do conselho. Autoridades de diversos países, em declarações reservadas à imprensa, questionam a real intenção por trás da iniciativa. A exigência de uma taxa de adesão de US$ 1 bilhão por nação tornou-se o centro da polêmica. A interrogação é unânime: para onde iria esse colossal montante, estimado em dezenas de bilhões de dólares? Não há qualquer garantia, mecanismo de transparência ou acordo formal que assegure que os recursos seriam integralmente investidos na reconstrução de Gaza. Especialistas em política internacional veem a taxa como um elemento que inviabiliza a adesão da maioria dos países e levantam suspeitas sobre seu propósito real, que poderia ser mais simbólico-financeiro do que operacional.

A proposta de Trump colide frontalmente com a arquitetura e a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU). Historicamente, a mediação de conflitos, a coordenação de ajuda humanitária e a reconstrução pós-guerra são funções centrais de agências da ONU, como o Conselho de Segurança, a Assembleia Geral e órgãos especializados (UNRWA para refugiados palestinos, OCHA para coordenação humanitária). A criação de um fórum paralelo, dirigido por uma figura política americana e fora do guarda-chuva multilateral da ONU, é vista como um movimento que busca minar a legitimidade e a centralidade das instituições internacionais. Analistas interpretam a manobra como parte de um padrão de Trump de desconfiança em relação ao multilateralismo, exemplificado em seu mandato pela retirada dos EUA de acordos e organismos internacionais.

Para além das críticas, a viabilidade prática do "Conselho de Paz" é posta em dúvida. A inclusão de nações com posições diametralmente opostas no conflito, como Israel e países árabes, em um fórum criado unilateralmente, sem um processo diplomático preliminar, parece destinada ao impasse. A pergunta "Aonde quer chegar o presidente dos Estados Unidos?" ecoa nos corredores diplomáticos. Algumas hipóteses sugerem que o objetivo imediato pode não ser a paz, mas sim um marketing político de grande impacto, uma tentativa de reposicionar Trump como um deal-maker global, ou até um mecanismo para contornar e pressionar a atual administração americana e a ONU. A falta de transparência e o caráter informal da proposta, até o momento, alimentam mais desconfiança do que esperança em relação a seu potencial de realmente promover a paz na conturbada região.

Por: João Bosco

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