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TRAGÉDIA NA VENEZUELA: BALANÇO CHEGA A QUASE 1 MIL MORTOS E 54 MIL DESAPARECIDOS NA MAIOR CATÁSTROFE DA HISTÓRIA RECENTE

  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

O governo venezuelano atualizou, nesta nesta sexta-feira (26), os números oficiais da tragédia que assola o país desde o último fim de semana. Já foram contabilizados 987 mortos e 54.200 desaparecidos — o que torna este o maior desastre humanitário registrado na Venezuela nas últimas décadas, superando o terremoto de 1967 em Caracas (cerca de 240 mortos) e o deslizamento de Vargas em 1999 (estimado em até 30 mil mortos, embora sem números oficiais consolidados).

Centenas de edifícios desabaram completamente, e muitos dos que ainda estão de pé deverão ser demolidos devido à perda total de integridade estrutural, conforme laudos preliminares de engenheiros do corpo de bombeiros e da Universidade Central da Venezuela. Até o momento, são 4.300 pessoas desabrigadas (que perderam suas moradias) e mais de 12 mil desalojadas (impedidas de retornar por risco de novos colapsos).

Praças públicas e estacionamentos foram transformados em abrigos improvisados, onde famílias dormem ao relento, sob lonas e colchões doados por igrejas e ONGs locais. O colapso da infraestrutura é generalizado: 80% da capital, Caracas, e 90% do estado de La Guaira enfrentam cortes no fornecimento de energia elétrica e falhas nas redes de telefonia e internet. A distribuição de água potável opera com apenas 30% da capacidade habitual, e o acesso a alimentos está severamente comprometido, já que mais de 300 vias principais seguem total ou parcialmente obstruídas por escombros.

Os estados mais atingidos são La Guaira (região litorânea) e o Distrito Capital (Caracas), onde se concentram cerca de 70% das fatalidades. No total, mais de 1.400 construções foram danificadas — entre residências, hospitais, escolas e edifícios públicos —, o que agrava o colapso do sistema de saúde, já debilitado por anos de crise econômica e escassez de insumos.

Organizações internacionais, como a Cruz Vermelha e a Defesa Civil, mobilizaram equipes de resgate, mas alertam que o número de desaparecidos pode levar semanas para ser refinado, devido à dificuldade de acesso a regiões isoladas. O governo declarou estado de emergência e pediu apoio técnico à ONU, enquanto a comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos da maior catástrofe estrutural e humanitária já registrada no país em tempos de paz.

Por: João Bosco

Fotos: Instagram

Juan Barreto/AFP

Agência Pública

Frederico Parra/AFP

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