STF VIVE SESSÃO TUMULTUADA EM JULGAMENTO SOBRE INVESTIGAÇÃO DE ALEXANDRE DE MORAES

A população brasileira aguardava uma sessão tranquila no Supremo Tribunal Federal (STF) para dar início às discussões sobre a possível investigação do ministro Alexandre de Moraes, citado no caso Master. No entanto, o que se viu no plenário da Corte foi um ambiente desarticulado, marcado por desentendimentos e falta de respeito entre os próprios ministros. O local que deveria ser símbolo de confiança da população na justiça transformou-se em palco de ataques entre os decanos.

Nesta terça-feira (15), data que os brasileiros passaram a chamar de "dia D", a sessão evidenciou uma total falta de respeito para com a nação. Uma presidência que se deixou levar por alguns ministros e se perdeu no decorrer do julgamento contribuiu para o clima de instabilidade. A decepção com o Supremo Tribunal Federal é tão grande nas ruas que a ministra Cármen Lúcia foi sábia em suas palavras ao pedir desculpas à nação, demonstrando consciência da realidade ao afirmar que a crise no STF causa mal-estar cívico no país e que a Corte é uma casa para gerar confiança e justiça ao povo, e não para causar desconfiança e falta de credibilidade como acontece no momento atual.

O ministro Gilmar Mendes jogou toda sua ira contra o ministro André Mendonça, como se fosse o maior conhecedor da Constituição, mas foi interrompido pelo decano Luiz Fux, que comprovou os atos da Segunda Turma e explicou o motivo do direcionamento tomado por André Mendonça. Mendes marcou a tarde com a frase: "Não se pode expor um colega, mesmo que esteja envolvido". Diante disso, fica evidente que estamos diante de uma Corte onde a justiça não é igual para todos.

O ministro Flávio Dino resolveu partir para cima do presidente da Corte, Edson Fachin, e, para rolar por mais alguns meses o julgamento, pediu vista do processo, provavelmente prevendo uma derrota na tarde de ontem, o que não aconteceu. A maioria da sessão ficou marcada por questões de ordem, e o objetivo principal — decidir se o ministro Alexandre de Moraes deverá ou não ser alvo de uma investigação por sua proximidade e relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — ficou tumultuado e sem objetividade, com momentos de tensão e muito bate-boca.

O desentendimento começou logo no início, quando Flávio Dino interrompeu o discurso de Dias Toffoli e foi chamado a atenção pelo presidente da Corte, Edson Fachin. "Ministro Flávio, eu gostaria de combinar, nesta sessão, que a palavra sempre será solicitada à Presidência", disse Fachin. "O senhor precisa pedir a palavra à Presidência. Vossa excelência terá a palavra porque estou lhe concedendo", completou.

Em seguida, Dino questionou Edson Fachin sobre a retirada da relatoria do processo das mãos de André Mendonça, classificando a decisão como uma avocatória. "Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar", afirmou Dino, acrescentando que continuar dessa maneira seria um dos maiores erros da história do Judiciário brasileiro.

O episódio desta terça-feira expôs fissuras profundas na mais alta Corte do país e deixou clara a necessidade de reconstrução do diálogo institucional. A sociedade brasileira, que depositava no STF a esperança de uma análise serena e imparcial do caso, assistiu a um espetáculo de divisão interna que compromete a credibilidade da justiça. Resta agora aguardar os desdobramentos do pedido de vista e torcer para que a Corte recupere a serenidade necessária para decidir com responsabilidade o futuro da investigação.
Por: João Bosco
Foto: Redes Sociais/STF









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