REESTRUTURAÇÃO DA CASAS BAHIA: REDE FECHA 298 LOJAS E DEMITE 1.900 FUNCIONÁRIOS EM DOIS DIAS
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A Casas Bahia anunciou, entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), o fechamento de 298 unidades e a demissão de 1.900 funcionários, em uma das maiores operações de corte de custos já realizadas pela varejista. As 298 lojas encerradas representam 28,7% de toda a rede, que contava com mais de mil estabelecimentos em atividade antes da medida. Seiscentos trabalhadores foram desligados na quinta-feira, enquanto outros 1,3 mil tiveram seus contratos rescindidos na sexta, conforme planejamento interno da companhia.

O movimento faz parte de um longo processo de ajuste financeiro iniciado em 2023, quando a empresa entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar um passivo de 4 bilhões de reais em dívidas. Naquele ano, a rede já havia iniciado um cronograma de enxugamento, com 36 lojas fechadas entre 2023 e 2025. Em 2026, antes da nova leva de cortes, outras 26 unidades já tinham sido desativadas – sendo 12 da bandeira Casas Bahia e 14 do Ponto Frio, ambas controladas pelo grupo.

A justificativa oficial para a decisão radical foi a deterioração dos resultados financeiros, agravada pelo cenário macroeconômico de inflação persistente e taxa de juros elevada no país. A empresa registrou prejuízo líquido de 3 bilhões de reais em todo o ano de 2025, e o primeiro trimestre de 2026 já acumula um rombo de 1,1 bilhão. Diante desse quadro, a direção afirmou que as demissões e o fechamento de lojas são medidas necessárias para conter despesas operacionais e preservar a sustentabilidade do negócio.

Paradoxalmente, enquanto as lojas físicas sofrem com a retração do consumo presencial – com queda de 1,8% nas vendas no primeiro trimestre de 2026 – o canal digital da companhia apresentou crescimento expressivo de 26% no mesmo período. Esse contraste evidencia a migração do consumidor para o ambiente online e reforça a estratégia da varejista de concentrar investimentos no e-commerce, em detrimento das operações físicas menos rentáveis.

Especialistas do setor estimam que o número total de demissões pode chegar a 3 mil trabalhadores, caso a empresa promova novas ondas de cortes nos próximos meses. A Casas Bahia, porém, não confirmou oficialmente essa projeção e limitou-se a informar que as ações em curso visam adequar a estrutura às novas demandas do mercado. Ainda não há previsão de novas unidades a serem fechadas, mas analistas apontam que a reestruturação deve continuar ao longo de 2026, com foco na redução da exposição ao varejo físico e na aceleração das vendas digitais.
Por: João Bosco
Foto Ilustrativa










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