PSOL E REDE ROMPEM COM KALIL E MIGRAM PARA PATRUS ANANIAS EM REVIRAVOLTA NO PALANQUE GOVERNAMENTAL
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Em uma reviravolta que reconfigura o tabuleiro político mineiro a menos de dois meses das eleições, as executivas nacionais do Psol e da Rede Sustentabilidade decidiram, na noite desta terça-feira (11), suspender oficialmente o apoio à candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao Governo de Minas Gerais. As duas legendas anunciaram, em nota conjunta, que passarão a respaldar o nome de Patrus Ananias (PT), reeditando uma aliança histórica entre as siglas de esquerda e provocando um realinhamento significativo no campo progressista. A decisão, tomada em reunião extraordinária, pegou de surpresa coordenadores de campanha e analistas políticos, que esperavam a manutenção do acordo firmado em julho.

O principal argumento apresentado pelas direções partidárias para justificar o rompimento foi a incompatibilidade programática com a coligação encabeçada por Kalil, que recentemente incorporou o PSDB-Cidadania — legenda que indicou o ex-prefeito Carlos Mosconi como candidato a vice-governador na chapa pedetista. Para os dirigentes do Psol e da Rede, a aliança com os tucanos, historicamente adversários no espectro ideológico, tornou insustentável a permanência no mesmo palanque. "Uma coligação que abriga o PSDB é inadmissível para quem defende um projeto transformador para Minas", declarou a presidente estadual do Psol, vereadora Iza Lourença, que comemorou a migração e reforçou sua pré-candidatura a deputada estadual na nova composição.

A adesão de Patrus Ananias, ex-ministro e figura de expressão nacional com trânsito em diferentes setores da sociedade civil, deve oxigenar a campanha petista e ampliar seu alcance entre eleitores do campo progressista que rejeitam alianças com a direita. Por outro lado, a saída das duas siglas representa um baque para a estratégia de Kalil, que buscava construir uma frente ampla com viés de centro e centro-esquerda para enfrentar o favoritismo do senador Cleitinho (PSC) nas pesquisas. O PDT ainda não se manifestou oficialmente sobre o desembarque, mas interlocutores da campanha já admitem que o movimento exigirá uma readequação do discurso e do tempo de horário eleitoral gratuito.

Com essa reviravolta, o cenário eleitoral mineiro ganha novos contornos, e os reflexos das mudanças devem começar a aparecer nas próximas rodadas de pesquisas de intenção de voto. No mais recente levantamento do Instituto Quaest, divulgado em 28 de julho, Cleitinho liderava com 35% das intenções, seguido por Kalil com 12% e Patrus Ananias com 10%. A migração dos votos do Psol e da Rede, ainda que numericamente modesta em termos de capilaridade partidária, pode ter impacto simbólico e prático sobre o eleitorado mais à esquerda, que agora tende a se concentrar na candidatura petista. Resta saber se a unificação do campo progressista será suficiente para reagir à dianteira do atual líder ou se o movimento acabará fragmentando ainda mais a oposição ao senador.
Por: João Bosco










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