PEC 6X1 APROVADA NO SENADO: AVANÇO SOCIAL OU MANOBRA ELEITOREIRA QUE O POVO VAI PAGAR?

O Senado aprovou, em segundo turno, a PEC que altera a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A votação registrou 75 votos a favor e 1 contrário em cada turno; o único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Para ser aprovado, o texto precisava de 49 votos dos 81 senadores por turno. A proposta será promulgada pelo Congresso Nacional em data a ser marcada.

A aprovação é celebrada pelas centrais sindicais como um avanço histórico. Para o setor empresarial e industrial, no entanto, a medida é vista como precipitada e eleitoreira, pois aumenta o custo da hora trabalhada e pode provocar repasses ao consumidor final, demissões e falta de contratações em áreas como saúde, serviços, educação e comércio.

O governo, que apadrinhou a PEC, foi decisivo para a aprovação. Críticos apontam que o Executivo agiu menos em defesa dos trabalhadores e mais por cálculo eleitoral, tentando capitalizar apoio antes das eleições. A proposta, nesse sentido, é vista como mais uma medida eleitoreira do que uma política estruturante.

A conta pode recair sobre o trabalhador e o consumidor. Se as empresas repassarem os custos, a inflação sobe e corrói salários; se demitirem ou deixarem de contratar, o desemprego aumenta. Quem tem menos poder de barganha sofre primeiro, justamente a classe trabalhadora que o governo diz defender.
Especialistas alertam que a mudança exige transição, negociação coletiva e incentivos à produtividade. Sem isso, setores intensivos em mão de obra podem enfrentar dificuldades de adaptação. O governo, porém, não apresentou plano claro de compensação ou ajuste, o que reforça a percepção de improviso e oportunismo.

Assim, a PEC aprovada no Senado é apresentada como avanço social, mas carrega incertezas. O futuro é uma incógnita, e muitos empregados temem pela manutenção do emprego. No fim das contas, o governo lutou por uma medida que pode respingar no povo brasileiro: a conta pode chegar via inflação, desemprego e precarização. O governo não quis saber disso; quis apenas tentar segurar sua reeleição.
Por: João Bosco
Foto: Ilustrativa/Redes Sociais








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