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PATRUS ANANIAS DEVE SER PRÉ-CANDIDATO AO GOVERNO DE MINAS, MAS CARREGA HERANÇA DE PIMENTEL COMO DESAFIO

  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

O deputado federal Patrus Ananias (PT) pode ser anunciado nos próximos dias como pré-candidato ao governo de Minas Gerais, em movimento articulado pelo Partido dos Trabalhadores para cumprir o rombo deixado por Rodrigo Pacheco no segundo maior colégio eleitoral do país. Atualmente em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, Ananias já ocupou a Prefeitura de Belo Horizonte e comandou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, onde ficou à frente de programas como o Bolsa Família e o Cadastro Único. Apesar da longa trajetória na política e da boa avaliação de seu trabalho na área social, o nome do petista encontra resistência entre setores do eleitorado, principalmente pela associação automática com o governo de Fernando Pimentel (2015-2018), marcado por crises fiscais e administrativas que ainda repercutem no estado.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o principal obstáculo de Patrus será descolar sua imagem da gestão conturbada de Pimentel, que deixou um rastro de salários de servidores atrasados, cortes no repasse do crédito consignado e paralisia nos convênios com municípios mineiros. Embora o ex-prefeito da capital tenha perfil conciliador e trânsito junto a movimentos sociais, o cenário atual exige que ele apresente propostas concretas para recuperar a credibilidade fiscal e institucional do Estado, algo que pesquisas recentes de intenção de voto indicam como prioridade absoluta para os mineiros. O PT deverá apostar na experiência administrativa de Ananias e em sua ligação com o governo Lula para tentar superar esse passivo, mas analistas veem a missão como árdua diante de adversários já consolidados.

Além da sombra de Pimentel, Patrus terá que enfrentar uma concorrência qualificada, que inclui nomes com alta capilaridade regional e apoio de partidos de centro e centro-direita. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram que o PT figura em patamar inferior a pré-candidatos de outras legendas, o que coloca em xeque sua viabilidade eleitoral caso a oficialização se confirme. Para reverter esse quadro, o ex-ministro precisará não apenas se defender das críticas relacionadas ao período anterior, mas também construir uma narrativa positiva baseada em seus feitos à frente das pastas sociais e na sua atuação recente no Congresso Nacional, onde se destacou na defesa de direitos humanos e na articulação de emendas para o estado.

O anúncio oficial, que deve ocorrer até o fim desta semana, será acompanhado de perto por lideranças políticas e pela imprensa mineira, pois pode redefinir os rumos da disputa estadual. Enquanto o PT tenta viabilizar a candidatura, setores da sigla defendem que Patrus viaje pelo interior para resgatar alianças e apresentar um plano de governo que dialogue com as demandas por emprego, saúde e segurança pública. Resta saber se o tempo e a estratégia serão suficientes para convencer um eleitorado que ainda guarda na memória os percalços da última gestão petista no Executivo mineiro — e que, neste momento, parece mais inclinado a olhar para frente do que para trás.

Por: João Bosco


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