MISTURA COM 32% DE ETANOL ENTRA EM VIGOR E GERA ALERTA SOBRE DANOS À FROTA ANTIGA
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A partir deste sábado (1º), a gasolina comercializada em todo o território nacional passa a conter 32% de etanol anidro em sua composição, percentual superior aos 27% vigentes até então. A medida, autorizada pelo Ministério de Minas e Energia, foi publicada em edição extra do Diário Oficial e já provoca reações preocupadas de entidades do setor automotivo e de defesa do consumidor. A principal apreensão reside nos potenciais efeitos colaterais sobre veículos mais antigos, especialmente os fabricados antes da introdução da tecnologia flex, em 2003, que podem apresentar falhas mecânicas e perda de desempenho com a nova dosagem do biocombustível.

O Ministério Público Federal (MPF) já havia se manifestado contrariamente à mudança em julho deste ano, quando ajuizou ação judicial pedindo a suspensão imediata da nova mistura. A argumentação da Procuradoria baseia-se na ausência de estudos técnicos atualizados que comprovem a segurança do índice elevado para a frota nacional, considerando a diversidade de idades e condições dos veículos em circulação. No entanto, o pedido liminar não foi acolhido pela Justiça Federal, que entendeu não haver elementos suficientes para interromper o cronograma estabelecido pelo governo, permitindo que a normativa entrasse em vigor conforme o planejado.

Especialistas em engenharia mecânica alertam que o aumento do teor de etanol pode acelerar processos de corrosão em componentes metálicos, ressecar borrachas e mangueiras do sistema de combustível e provocar desgaste prematuro de bombas e injetores. Esses riscos são significativamente maiores em motores projetados para tolerar menores concentrações de álcool, como os de veículos fabricados até o final da década de 1990. Para essa parcela da frota, estimada em milhões de unidades, o abastecimento com a nova gasolina pode resultar em falhas na partida, perda de potência, superaquecimento e até danos irreparáveis ao motor, gerando custos elevados de manutenção para os proprietários.

A decisão governamental, anunciada em meio à escalada dos preços do petróleo no mercado internacional e à crescente dependência da importação de gasolina, foi interpretada por críticos como uma saída paliativa que transfere ao consumidor os ônus de uma política energética desprovida de planejamento. O momento da publicação, próximo ao período eleitoral de outubro, também levantou suspeitas sobre motivações políticas, embora o Ministério de Minas e Energia negue qualquer viés eleitoreiro e defenda a medida como necessária para reduzir a importação de combustíveis fósseis. O processo judicial segue em tramitação na Justiça Federal, e o MPF deve recorrer da decisão liminar, mas, por ora, a mistura com 32% de etanol já é realidade nos postos de todo o país – e os motoristas de veículos mais antigos são os que mais têm a perder.
Por: João Bosco






