INFLAÇÃO, DESCONTROLE FISCAL E A ATUAÇÃO DO GOVERNO NA ECONOMIA BRASILEIRA

A inflação bateu definitivamente na porta da casa do brasileiro. Com uma alta de 1,14 ponto percentual em relação à taxa registrada em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) disparou no mês de setembro, com inflação oficial de 0,82%. Alimentos, passagens aéreas, combustíveis e energia elétrica estão entre os maiores responsáveis pela variação.

Nos últimos 12 meses, o índice atingiu 4,58%, ultrapassando a meta de 4,50% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo centro é de 3,00% e cuja margem de tolerância é de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Segundo a projeção oficial para o ano, o IPCA acumulado estimado é de 5,01%, ficando acima do teto permitido.

Esses números mostram o retrato real do desgoverno brasileiro, que gasta sem limites e cuja conta chega mais cedo ou mais tarde. O governo perdeu o controle da estabilidade econômica, e o povo poderá voltar a viver dias de forte desvalorização da moeda e de mudanças diárias nos preços, caso o cenário continue caminhando para um déficit público insustentável.

A atuação do governo na economia agrava o problema: em vez de cortar gastos, conter a máquina pública e priorizar a responsabilidade fiscal, amplia despesas, interfere em setores estratégicos e transfere ao contribuinte o custo de decisões populistas. A inflação, nesse contexto, funciona como um imposto silencioso: corrói o salário, encarece o crédito, reduz o poder de compra e penaliza sobretudo os mais pobres. Quando o governo gasta mais do que arrecada e sinaliza descontrole, o mercado reage, os juros sobem, o investimento recua e o crescimento fica ainda mais frágil.

Não se trata apenas de números: trata-se de famílias que deixam de comprar itens básicos, pequenos negócios que perdem margem e trabalhadores que veem seu dinheiro valer menos. Sem ajuste fiscal, sem previsibilidade e sem compromisso real com as metas de inflação, o Brasil corre o risco de entrar novamente em um ciclo de instabilidade, desconfiança e empobrecimento. O combate à inflação exige não apenas juros altos, mas, sobretudo, responsabilidade do governo, controle do gasto público e respeito ao orçamento.
Por João Bosco









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