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Fé, Veneno e Pequi: O Padre Que Declarou Guerra ao Símbolo da Cidade

O reverendo padre da cidade de Santa Rosa do Tocantins, em seu surto de jardinagem divina, decidiu que o melhor uso para um símbolo cultural, ambiental e afetivo da comunidade era… derrubá-lo. Sua cruzada particular contra um pé de pequi centenário, localizado pertinho da Igreja Matriz, causou certa leve polêmica entre os fiéis e moradores – que, em um ato de rebeldia terrena, ousaram discordar da vontade celestial do bom pastor.

No estado do Tocantins, existe uma lei que estabelece o pequi como patrimônio cultural, imaterial, gastronômico e ambiental. Um detalhe técnico que, claramente, não pôde competir com a visão superior do padre, que enxergava na árvore um empecilho para seus planos de expandir a igreja com uma cozinha e uma sala de catequese. O que é um símbolo de identidade de um povo perto da necessidade de um novo fogão e algumas cadeiras?

Acontece que, em um raro momento de burocracia funcionando, a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente autorizou inicialmente o corte, alegando “risco iminente” de queda e a presença de abelhas – criaturas notoriamente conhecidas por sua incompatibilidade com a paz espiritual. Tudo parecia encaminhado para a derrubada santa.

Mas eis que a comunidade, em uma insurreição pouco piedosa, protestou. E a autorização foi revogada no último dia (13/12). Um triunfo da democracia! Exceto por um pequeno (ou pequieno) detalhe: o zelo proativo do padre Pablo Luiz Viana dos Reis. Antes que a papelada da revogação secasse, o homem de Deus já havia tomado as providências terrenas necessárias: aplicou veneno na raiz do problema. Literalmente. Confirmou o ato com a tranquilidade de quem acabou de regar um vaso de samambaia. Um verdadeiro exemplo de “agir primeiro, rezar depois” (ou talvez nem rezar).

Agora, em um magnífico exemplo de fechamento da porta após o cavalo – digo, a árvore – ser envenenado, a Secretaria recomenda a realização de uma audiência pública. Porque nada resolve um envenenamento premeditado como uma boa reunião com ata e lista de presença.

Por: João Bosco

 
 
 

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