EUA APLICAM PRIMEIRAS SANÇÕES A BRASILEIROS POR SUPOSTA LIGAÇÃO COM O PCC
- 1 de jul.
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Começou a primeira rodada de sanções econômicas contra brasileiros suspeitos de ligação com a facção criminosa PCC, segundo determinação do governo de Donald Trump. A medida foi comunicada pelo governo norte-americano nesta quarta-feira (1º) e atinge dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa, por supostas conexões com o crime organizado brasileiro. As sanções estão formalizadas no Departamento do Tesouro Nacional americano, que incluiu os nomes e as companhias em sua lista de restrições financeiras, bloqueando eventuais ativos e proibindo transações comerciais com cidadãos e entidades dos Estados Unidos.

Os brasileiros sancionados são: Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. As empresas atingidas são: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda; Wave Construções Inteligentes Ltda; e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda, esta última com sede em Portugal. Segundo as autoridades americanas, os citados integram uma rede internacional de lavagem de dinheiro a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizando estruturas empresariais para dissimular a origem ilícita dos recursos e movimentar valores vultosos entre Brasil, Europa e Estados Unidos.

As investigações que culminaram nas sanções fazem parte de uma operação mais ampla conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA, que já resultou na prisão de outras seis pessoas na Flórida, em janeiro deste ano, sob acusação de integrarem o mesmo esquema criminoso. De acordo com documentos do Tesouro americano, as empresas brasileiras sancionadas atuariam como "testas de ferro" para transferências financeiras disfarçadas, utilizando criptomoedas e contas bancárias em paraísos fiscais para dificultar o rastreamento dos valores. O governo Trump, em sua política de endurecimento contra organizações criminosas transnacionais, classificou o PCC como uma "ameaça à segurança financeira global" e prometeu ampliar o cerco nos próximos meses.

Especialistas em direito internacional ouvidos pela reportagem ressaltam que as sanções do Tesouro americano têm efeitos práticos severos, pois impedem que os sancionados mantenham contas, cartões de crédito ou qualquer tipo de negócio em solo norte-americano, além de pressionar bancos de todo o mundo a romperem relações com os citados. A inclusão de uma empresa portuguesa na lista indica que a rede de lavagem de dinheiro ultrapassava fronteiras europeias, o que pode gerar desdobramentos judiciais também em Portugal e em outros países da União Europeia.

No Brasil, a defesa dos sancionados ainda não se manifestou publicamente, mas fontes próximas aos investigados informaram que recorrerão administrativamente ao Tesouro americano para tentar reverter as medidas. A Polícia Federal brasileira, que já colabora com agências internacionais em investigações sobre o PCC, não confirmou se há inquéritos paralelos em andamento no país envolvendo os mesmos nomes. Enquanto isso, o governo Donald Trump reforça o discurso de combate ao crime organizado estrangeiro, e novas sanções contra outros integrantes da facção podem ser anunciadas nos próximos dias, à medida que as apurações avançam. O caso, inédito em sua amplitude, acende um alerta sobre a internacionalização das facções brasileiras e a crescente cooperação – ou pressão – dos EUA sobre o Brasil no enfrentamento à lavagem de dinheiro.










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