ESCÂNDALO JAQUES WAGNER SACODE O PLANALTO, RADICALIZA OPOSIÇÃO E AMEAÇA ELEIÇÕES NA BAHIA
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O desdobramento do caso envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) atingiu em cheio o governo Lula, pegando aliados de surpresa e reconfigurando o tabuleiro político em Brasília. Do ponto de vista estratégico, caiu por terra a tentativa inicial do PT de atribuir à oposição a responsabilidade pelo escândalo do Banco Master, que ganhou contornos mais complexos à medida que as investigações avançaram. Nos primeiros momentos da crise, os holofotes se concentraram nas relações entre o Judiciário e o empresário Vorcaro, mas a conexão com o Supremo Tribunal Federal rapidamente se tornou um desgaste para o Palácio do Planalto, que viu sua narrativa de controle da situação ruir.

À medida que as apurações progrediram, o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas e principal liderança do Centrão, passou a figurar no centro das atenções, o que levou o PT a tentar explorar as investigações para aliviar a pressão inicial. Logo a seguir, o vazamento de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surgiu como um "presente" para o governo, que viu na gravação uma oportunidade de contra-atacar e provocar desgaste na oposição, influenciando diretamente as pesquisas eleitorais e o humor do eleitorado nas últimas semanas.

Em uma jogada calculada, Wagner concedeu uma entrevista à TV para afirmar que o presidente Lula havia entrado em contato com ele, oferecendo total apoio político. Com essa declaração, o senador baiano desviou o foco de seu afastamento de líder do governo no Senado — medida já consumada nos bastidores — e transferiu para o chefe do Executivo a responsabilidade de conduzir a crise, numa tentativa de preservar sua própria imagem e minimizar os danos à sua base no Nordeste.

O escândalo do Master, que já havia atingido as três esferas da política brasileira — Executivo, Legislativo e Judiciário —, agora ganha um novo capítulo com a reação da oposição. Diante do agravamento do caso Jaques Wagner, parlamentares da oposição correram para pedir, mais uma vez, a instalação de uma CPI mista para investigar o Banco Master, proposta que, até o momento, é duramente rejeitada pelo governo, que teme os efeitos de uma comissão parlamentar em ano eleitoral.

Na Bahia, onde Wagner foi eleito senador e mantém forte influência política, o escândalo deve repercutir diretamente na campanha à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Segundo pesquisa do Instituto DataTrends divulgada em 15 de junho, o petista aparece em segundo lugar, com uma desvantagem de 10 pontos percentuais em relação ao líder ACM Neto (União Brasil). O cenário acendeu um alerta vermelho no comitê central do PT, que teme que o desgaste do caso Wagner contamine ainda mais a imagem do partido no estado, justamente no momento em que a corrida sucessória se intensifica.
Por: João Bosco










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