EM ANO ELEITORAL, DISCURSO DE LULA SOBRE FEMINICÍDIO É VISTO COMO POSTURA DE CANDIDATO, NÃO DE PRESIDENTE
- jbcomunicacoes100
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece mais um candidato à Presidência da República do que o presidente do Brasil. Na manhã desta quarta-feira (4), Lula afirmou que o país precisa romper com a omissão social diante da violência de gênero, assumindo, assim, uma postura de combate ao feminicídio.
“A cada dia, quatro mulheres são vítimas de feminicídio no Brasil. Significa que a cada seis horas uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher”, declarou.

Se, de fato, o Brasil permanece omisso e os índices de feminicídio seguem alarmantes, pergunta-se: qual foi a política nacional específica e efetiva implantada pelo seu governo nos últimos três anos para reverter esse quadro? A ausência de um plano de emergência ou de um grande pacto nacional sobre o tema antes deste momento evidencia mais retórica do que ação concreta.

A escolha do momento para esse pronunciamento – já no ciclo pré-eleitoral – levanta dúvidas sobre a prioridade real dada à causa. Se a questão é tão urgente e grave, por que não foi alvo de campanhas massivas e de mobilização governamental desde o primeiro ano do mandato? A aproximação das eleições sugere que o objetivo pode ser a capitalização política de uma tragédia nacional, em vez de um compromisso genuíno e atemporal com a vida das mulheres.

O discurso foca em “romper com a omissão social”, transferindo parte da responsabilidade para a sociedade, mas omite uma avaliação crítica sobre a atuação do Estado. É preciso questionar: como estão operando as delegacias da mulher? Os recursos para a rede de acolhimento a vítimas são suficientes? As políticas de educação e prevenção foram ampliadas? Sem abordar essas falhas estruturais, o pronunciamento corre o risco de ser apenas mais uma peça de sensibilização, sem apresentar um caminho claro de mudança.

Será que três anos no poder não seriam suficientes para combater o feminicídio desde o início de seu terceiro mandato? Agora, diante de um cenário tão negativo, ele vem a público, já próximo das eleições, fazer um discurso político e eleitoral. Isso é menosprezar a memória do eleitor e do povo brasileiro, que espera soluções e liderança efetiva, e não a redisputa de votos travestida de comoção seletiva.
Por: João Bosco








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