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DESAFIOS FISCAIS E ECONÔMICOS MARCAM NOVO MANDATO DE LULA A PARTIR DE 2027

há 3 horas
2 min de leitura

Com Lula eleito para mais quatro anos, o presidente terá pela frente, a partir de 2027, importantes desafios fiscais e econômicos. O ajuste fiscal e o conjunto de medidas e promessas anunciadas na campanha eleitoral de 2026 devem gerar impacto expressivo nas contas públicas, com pacotes avaliados em R$ 178 bilhões em ações no ano e projeções de bilhões de reais adicionais em 2027, o que exigirá negociação com o Congresso para definir fontes e recursos.

O governo Lula encerra o mandato com entregas sociais e econômicas relevantes, mas deixa uma base fiscal deteriorada. A dívida bruta passou de 71,7% para 82,9% do PIB, cerca de R$ 11,1 trilhões, enquanto o gasto primário subiu de 17,9% para 19,2% do PIB. Com a Selic em patamar elevado, o custo da dívida consome cerca de 9% do PIB, reduzindo o espaço para investimento e para novas políticas públicas.

As promessas eleitorais de 2026 tiveram custo elevado e engenharia fiscal incompleta. O pacote de benefícios mobilizou R$ 298,4 bilhões no ano eleitoral, e as promessas de campanha exigem R$ 39,8 bilhões adicionais no Orçamento de 2027. O fim da escala 6x1, a ampliação do teto do MEI, o Desenrola 3.0 e a regulamentação da reforma tributária são medidas com impacto real, mas não vieram acompanhadas de revisão estrutural das despesas obrigatórias.

Para 2027–2030, as projeções apontam baixo crescimento e dívida em alta. A Fitch estima PIB de 1,4% em 2027 e Selic de 11,75%; a gestora ASA projeta crescimento zero, risco de recessão e dívida de 88,5% do PIB. O próprio Orçamento indica falta de R$ 53,7 bilhões para manter as políticas atuais dentro do arcabouço, o que torna frágil a meta de superávit primário de 0,5% do PIB.

O endividamento das famílias agrava o cenário: cerca de 82% dos lares estão endividados, com 29,5% da renda comprometida e mais de 85% desse endividamento no cartão de crédito. Juros altos, nesse contexto, não são apenas um problema fiscal, mas um freio direto ao consumo e ao crescimento.

A aposta do governo no crescimento para resolver o desequilíbrio fiscal não se sustenta com projeções entre 0% e 1,4% para 2027. Sem enfrentar o gasto obrigatório, o Brasil herda dívida recorde, juros elevados e famílias sobreendividadas, com espaço cada vez menor para investimento e para novas políticas sociais.

Por: João Bosco

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