COPA, CONSUMO E OS DESAFIOS DO SETOR DE ALIMENTAÇÃO NO SUL DE MINAS
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A Copa do Mundo, tradicionalmente vista como um motor de aquecimento para bares e restaurantes, mostrou resultados abaixo do esperado no Sul de Minas, conforme relatos de empresários do setor. Embora a expectativa de crescimento no faturamento fosse alta, a realidade se mostrou distinta: apenas os estabelecimentos que já possuíam uma tradição consolidada na exibição dos jogos conseguiram registrar desempenhos positivos. Os demais, que investiram em infraestrutura, telões e promoções específicas para o evento, relataram frustração, com público aquém do previsto e retorno financeiro insatisfatório.

Segundo André Yuki, presidente da Abrasel no Sul de Minas, o comportamento do consumidor passou por transformações significativas nos últimos anos. As áreas gourmet, o aprimoramento dos sistemas de entretenimento doméstico e a crescente restrição orçamentária têm levado as pessoas a optarem por encontros em casa, em vez de frequentarem bares e restaurantes durante os jogos. Esse cenário é agravado pelo alto índice de endividamento da população — cerca de 87% dos brasileiros estão com dívidas —, o que torna o consumidor mais seletivo e cauteloso na hora de gastar, priorizando bebidas em detrimento de refeições completas e reduzindo o ticket médio dos estabelecimentos.

Os reflexos desse novo padrão de consumo são sentidos em diversas cidades da região, como Três Corações, Varginha, Guaxupé, São Lourenço, Itajubá, Capitólio, Pouso Alegre e Elói Mendes. Enquanto bares lotados concentravam as vendas em bebidas, restaurantes tradicionais registraram quedas significativas no movimento durante as partidas. Em contrapartida, o delivery apresentou alta na demanda, sugerindo uma migração do consumo presencial para o ambiente doméstico, o que reforça a necessidade de os empresários repensarem suas estratégias para eventos futuros.

Paralelamente, o crescimento exponencial das apostas esportivas online, impulsionado pela Copa, acendeu um alerta para o setor. Dados da fintech Klavi, baseados no Open Finance do Banco Central, mostram que o percentual de apostadores brasileiros saltou de 11% para 34,8% durante o Mundial, e o valor médio apostado por pessoa quase triplicou, passando de R$ 188,00 para R$ 524,00. Esse cenário preocupa não apenas especialistas em saúde mental — que associam o fenômeno ao avanço da ludopatia —, mas também gestores de bares e restaurantes, uma vez que 87% dos empresários já identificaram funcionários com hábitos de apostar e 63% observaram impactos diretos na rotina das equipes.

Diante desse quadro, a Abrasel orienta os gestores a manterem vigilância sobre sinais como pedidos constantes de adiantamento salarial, quedas de produtividade e alterações comportamentais, além de promoverem ações de educação financeira entre os colaboradores. A entidade já disponibiliza a cartilha "Apostas na Copa: como proteger sua equipe durante o Mundial", com diretrizes práticas para prevenção e acolhimento. O momento exige planejamento, adaptação e um olhar atento às mudanças de hábito da sociedade, sob pena de o setor de alimentação fora do lar perder espaço em um cenário cada vez mais competitivo e imprevisível.
Por: João Bosco
Fonte: Ana Luísa Alves
Foto: IA






