COP30 na Boca, Petróleo na Mão: A Dupla Face Ambiental do Brasil
- jbcomunicacoes100
- 18 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Em contradição direta com seus objetivos na COP30, o Brasil proclama publicamente seu compromisso com a descarbonização enquanto, na prática, avança com projetos para solidificar a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. Esta dualidade coloca em cheque a credibilidade internacional do país, projetando uma imagem de que seu discurso ambientalista é, na realidade, superficial e conveniente. A incoerência é gritante: como se pode liderar uma transição energética global sendo um dos seus maiores promotores de combustíveis fósseis?

A justificativa do Executivo para tal empreendimento baseia-se no alegado grande potencial econômico e na garantia de soberania energética. No entanto, essa visão revela-se profundamente anacrônica e economicamente miope, ignorando os riscos colossalmente altos em prol de um lucro de curto prazo. Investir pesadamente em novas fronteiras de petróleo, em um mundo que caminha para a descarbonização, é assumir um altíssimo risco de criar ativos encalhados, desperdiçando recursos que poderiam ser direcionados para energias verdadeiramente limpas e sustentáveis.

Do ponto de vista socioambiental, a aposta é ainda mais temerária. A região da Foz do Amazonas abriga a maior rede de manguezais do planeta e um complexo sistema de recifes de corais, ecossistemas fundamentais para a regulação climática e a biodiversidade global. Técnicos do IBAMA, baseados em laudos robustos, já alertaram reiteradamente para o altíssimo risco de vazamentos, que causariam danos irreversíveis aos modos de vida de comunidades tradicionais, pescadores e povos indígenas, que dependem desses ecossistemas para sua sobrevivência física e cultural, mas deram seu aval.

É perplexo notar que, em eventos de grande porte como o ocorrido em Belém, as nações presentes abstêm-se de questionar frontalmente essa política ambientalmente regressiva. Preocupações com acomodações, logística ou clima parecem ofuscar o cerne da questão: a licença social e política que o governo brasileiro busca para levar adiante um projeto de alto impacto negativo. Este silêncio tácito, seja por conivência ou por negligência, acaba por normalizar uma atividade cujas consequências seriam catastróficas e transfronteiriças.

Em síntese, a postura do governo brasileiro representa uma falha estratégica de proporções históricas. Ao optar por explorar petróleo em um dos biomas mais sensíveis e críticos do mundo, o país não apenas trai suas próprias metas climáticas, mas também assume o papel de vilão ambiental em um momento decisivo para o futuro do planeta. Esta contradição entre o discurso verde e a prática poluidora pode custar caro ao Brasil, não apenas em termos de reputação internacional, mas no agravamento de uma crise climática da qual sua própria população será a principal vítima.
Por: João Bosco
Foto: Panthermedia/IMAGO








Comentários