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COM A SAÍDA DE TARCÍSIO, FLÁVIO BOLSONARO SURGE COMO PRINCIPAL ADVERSÁRIO DE LULA EM ELEIÇÃO ACIRRADA

Quando Flávio Bolsonaro anunciou publicamente sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026, causou surpresa e ceticismo até mesmo em parte de seu próprio espectro político. Naquele momento, seu nome não aparecia com relevância nas pesquisas de intenção de voto, o que levou muitos analistas e políticos a considerarem quase certa uma nova vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em outubro. A expectativa geral, consolidada no início da corrida, era a de que o nome da direita com maior potencial para enfrentar Lula em um eventual segundo turno seria o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto como uma figura técnica e com melhor projeção nacional naquele cenário.

O quadro político sofreu uma alteração substancial nesta semana, com a decisão oficial de Tarcísio de Freitas. O governador anunciou o abandono definitivo da corrida presidencial, declarando seu foco na reeleição ao governo de São Paulo e, significativamente, proferiu seu apoio incondicional a Flávio Bolsonaro. Essa movimentação removeu o principal concorrente interno na direita e reconfigurou instantaneamente o tabuleiro eleitoral, transformando Flávio no candidato natural daquele campo.

Com a saída de Tarcísio, as pesquisas de intenção de voto, que até então o projetavam em vários cenários hipotéticos, mudaram de rumo abruptamente. Flávio Bolsonaro emergiu como o nome que mais se apresenta para um eventual segundo turno contra a esquerda. Uma pesquisa Atlas/SIntel encomendada pela Bloomberg e divulgada na última quarta-feira (21) ilustra esse novo momento: em um primeiro turno, Lula aparece com 49% contra 35% de Flávio. Em um cenário de segundo turno entre os dois, a diferença é de apenas 4,3 pontos percentuais, com Lula a 49,2% e Flávio a 44,9%. É importante notar que esta pesquisa ainda considerava Tarcísio na disputa, levantando a questão central para os próximos meses: para onde migrarão os votos que estavam com o governador paulista?

Diante dessa nova realidade, pode-se afirmar que a "vitória antecipada" da esquerda, como chegaram a declarar alguns deputados da direita, está longe de ser um fato consumado. A eleição presidencial de 2026, que parecia ter um favorito claro, transformou-se em um pleito imprevisível e competitivo. A consolidação de Flávio Bolsonaro como principal antagonista de Lula e a apertada diferença projetada em um segundo turno indicam que o caminho até a Presidência será uma disputa extremamente acirrada.

A eleição para o cargo de chefe do Executivo no período de 2027 a 2030 promete ser uma das mais competitivas dos últimos anos. Os próximos passos serão decisivos: Flávio Bolsonaro precisará consolidar sua liderança, absorver o eleitorado que apoiava Tarcísio e expandir sua base para além do núcleo bolsonarista. Por outro lado, a esquerda, que se via em posição confortável, terá que se reposicionar diante de um adversário que ganhou força e legitimidade política rapidamente. A migração dos votos de Tarcísio e a capacidade dos candidatos de conquistar o eleitorado indeciso serão os grandes fatores a definir o resultado dessa batalha.

Por: João Bosco

Fotos: Ricardo Stukert/PR e Vinícius Loures/Câmara dos Deputados



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