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Braço direito de Vorcaro e chefe da "milícia privada" do Banco Master morre sob custódia da PF em BH

  • há 2 horas
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Morreu na noite desta sexta-feira (6) Luiz Philipe Machado de Moraes Mourão, de 41 anos, mais conhecido pelos codinomes "Felipe Mourão" e "Sicário", após atentar contra a própria vida nas dependências da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Belo Horizonte. De acordo com informações oficiais, agentes da PF detectaram a tentativa de suicídio por volta das 20h desta quarta feira (4), prestando imediatamente os primeiros socorros e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou em estado grave a uma unidade hospitalar da capital mineira. A confirmação do óbito foi divulgada na noite desta sexta-feira (6), enquanto a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da custódia, assegurando que todas as câmeras de segurança do local filmaram integralmente a ação do detento e o atendimento prestado pelos policiais, sem pontos cegos .

Mourão foi preso na madrugada de quarta-feira durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apontam que ele atuava como o braço operacional de uma estrutura paramilitar apelidada de "A Turma", uma espécie de "milícia privada" montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para monitorar, intimidar e coletar informações sigilosas de adversários empresariais, ex-funcionários, autoridades e jornalistas . O codinome "Sicário" — que significa pistoleiro ou matador de aluguel em espanhol — foi atribuído a ele justamente por seu papel na coordenação de ações de vigilância e neutralização de alvos considerados críticos aos interesses do conglomerado financeiro.

Segundo a decisão judicial que embasou a operação, Mourão seria responsável por acessar indevidamente sistemas restritos de segurança, utilizando credenciais de terceiros para obter dados da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como FBI e Interpol . As mensagens obtidas pela PF revelam diálogos em que Vorcaro ordenava ações violentas, como "moer" uma empregada doméstica e simular um assalto para "quebrar todos os dentes" do jornalista Lauro Jardim, do O Globo, que havia publicado reportagens desfavoráveis ao banqueiro. Em uma das conversas, ao ser questionado por Mourão sobre o que fazer, Vorcaro teria respondido: "Puxa endereço tudo".

A morte de "Sicário" ocorre em meio ao agravamento do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a constatação de um rombo bilionário que afetou milhões de investidores e exigiu o ressarcimento de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a confirmação do óbito, a Polícia Federal já comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e deverá entregar todos os registros em vídeo para esclarecer a dinâmica dos fatos. Enquanto isso, as investigações sobre o esquema criminoso prosseguem, com Daniel Vorcaro permanecendo preso preventivamente, agora sem a presença de seu principal operador de inteligência para responder pelas graves acusações que incluem organização criminosa, tentativa de obstrução da Justiça e lavagem de dinheiro.



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