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"Após 25 anos de negociação, UE e Mercosul selam o maior acordo comercial entre blocos do mundo"

Após 25 anos de conversas, a União Europeia e o Mercosul assinaram, em Assunção (Paraguai), neste sábado (17), o maior acordo de livre-comércio do mundo. A assinatura cria a maior zona comercial entre blocos do planeta, pavimentando o caminho para um fluxo de bens e serviços inédito entre os dois continentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve presente pessoalmente ao evento, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Esse momento histórico, longamente negociado, marca um contraponto ao avanço de políticas protecionistas em outras partes do globo.

O tratado abrange um mercado conjunto de cerca de 780 milhões de consumidores e visa eliminar tarifas de importação em mais de 90% dos produtos comercializados entre as partes ao longo dos próximos anos. Para o Mercosul, setores como o agropecuário devem ser grandes beneficiados, com a redução de barreiras para commodities como carne bovina, açúcar e etanol. Por parte europeia, o acordo facilitará o acesso de seus produtos industrializados, automóveis, químicos e farmacêuticos, além de serviços e licitações públicas. Contudo, o pacto também inclui capítulos vinculantes sobre desenvolvimento sustentável, direitos trabalhistas e proteção ambiental, pontos que foram cruciais para o consenso final.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o significado geopolítico da parceria: "Enviamos uma mensagem forte ao mundo", afirmou. "Estamos criando a maior zona de livre-comércio do mundo. Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas, e parceria de longo prazo em vez de isolamento. Acima de tudo, queremos entregar benefícios às nossas populações e aos nossos comerciantes". Segundo ela, o acordo tem o potencial de gerar milhões de empregos e oportunidades tanto na Europa quanto na América do Sul, fortalecendo as cadeias produtivas e a resiliência econômica dos blocos.

Apesar da celebração da assinatura, o acordo ainda enfrenta um longo caminho até sua plena vigência. O texto precisa agora ser traduzido para todas as línguas oficiais dos países membros e, posteriormente, submetido à ratificação pelos parlamentos nacionais de cada um dos 31 estados envolvidos (27 da UE e 4 do Mercosul), um processo que pode levar anos e onde resistências setoriais e preocupações ambientais podem surgir. A implementação efetiva exigirá ajustes produtivos e maior integração regulatória, mas seu simbolismo como uma ponte entre duas grandes regiões do Atlântico é inegável, reafirmando o multilateralismo em um cenário internacional fragmentado.

Por: João Bosco

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