MINISTRO KASSIO NUNES MARQUES MANDA RETIRAR PESQUISA DO INSTITUTO ATLASINTEL POR INDÍCIOS DE CONTAMINAÇÃO
- 8 de jun.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou, nesta quinta-feira (8), a retirada da pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República realizada pelo Instituto Atlasintel. O levantamento, que apontava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do candidato Flávio Bosonaro, foi divulgado logo após o vazamento de um áudio que teria sido gravado entre o próprio Bosonaro e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo o magistrado, há indícios de contaminação das respostas, o que comprometeria a metodologia da pesquisa e, consequentemente, sua credibilidade.

De acordo com a decisão de Nunes Marques, o questionário apresentado aos entrevistados continha 48 perguntas, das quais oito envolviam diretamente o Banco Master, instituição financeira ligada a Vorcaro. Essas questões foram apresentadas de forma sequencial, o que, na avaliação do ministro, pode ter influenciado as respostas dos participantes, gerando um viés significativo. Especialistas em ciências políticas e metodologia de pesquisas alertam que a ordem e o teor das perguntas são fatores críticos para garantir a neutralidade e a precisão dos levantamentos eleitorais.

O Instituto Atlasintel entrevistou 5.032 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 18 de maio. A pesquisa, que inicialmente havia sido registrada no TSE, agora está suspensa, e sua divulgação fica proibida até que o plenário da Corte analise o caso. A decisão monocrática de Nunes Marques será levada a julgamento pelos demais ministros do TSE na próxima terça-feira (9), quando será decidido se a suspensão se mantém ou se a pesquisa poderá ser novamente divulgada. Políticos apontam que o caso reacende o debate sobre os limites éticos e técnicos das pesquisas eleitorais no país.

O episódio ocorre em meio a um cenário político já marcado por tensões envolvendo o nome de Flávio Bosonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a sucessão presidencial. Enquanto o TSE aguarda a análise em plenário, a recomendação à imprensa e aos institutos de pesquisa é que evitem divulgar os números contestados. A decisão final deverá estabelecer um precedente importante sobre a interferência de questionários na formação da opinião pública durante o período eleitoral.
Por: João Bosco










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